Os gritos de “fora Moraes”, “fora Lula” e Anistia Já, ecoaram pela multidão que tomou a Paulista. Vista de cima, a avenida se transformou para mais um protesto contra a atual gestão governamental e a ditadura que está sendo imposta pelo judiciário, claramente demonstrando uma junção dos poderes Executivo e Judiciário, interpondo-se ao Legislativo.
O desfile mais vazio do Dia da Independência, no dia 7 de setembro de 2025, no Distrito Federal, em Brasília, deu a tônica da insatisfação popular. Mostrando a cena deprimente de um presidente e a primeira-dama desfilando em um Rolls-Royce cercado por um veículo militar em meio a um cenário vazio, as redes sociais transmitiram o antes (com Bolsonaro e um oceano verde e amarelo) e o agora.
O deputado federal Nikolas Ferreira perguntou: “Cadê os milhões de votos?”. A pergunta é pertinente. Se a metade da população brasileira votou no atual presidente, contando seus 60.355.999 votos – de acordo com o TSE – por onde será que andavam todos no dia 7 de setembro?
O longo período de instabilidade política vivido há décadas parece ter voltado com um novo formato ao longo dos últimos anos. Lula e outros exilados que foram anistiados, que demonstravam ser os “salvadores da Pátria”, nos palanques da campanha das “Diretas Já”, hoje criaram um novo modelo ditatorial, perseguindo divergentes, para se manterem no poder, quando diziam lutar justamente contra a ditadura.
Anistia ampla, geral e irrestrita: voz do passado e presente
Os valores morais também se inverteram. O símbolo da justiça parece estar com os olhos bem abertos e não mais vedados, pois enxerga interesses e não a verdade. Medidas contra a educação que destoam das tendências mundiais, como mencionadas no artigo “MEC está na contramão do avanço global da EaD para democratização do ensino”, são graves a ponto de tirar um dos poucos recursos da classe mais pobre, justamente aquela que imagina ser defendida pela atual gestão.
Não se trata apenas do julgamento do ex-presidente Bolsonaro e mais sete réus acusados de golpismo, em que as provas se baseiam em uma delação, alterada por seis vezes; trata-se de um governo sem perspectivas, em que a discordância da lógica tornou-se natural desde o dia 1º de janeiro de 2023, onde a vingança e perseguição política são prioridades, quando deveria estar voltado aos anseios populares, como apregoa.
A anistia de hoje, que está sendo protelada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e demais deputados que compõem a base do atual governo, foi a anistia do passado e a avenida que se abriu para que o atual presidente estivesse no poder e outros pudessem retornar do exílio, além da própria fundação do PT.
Manifestações populares
A história da política no Brasil nestes tempos imita o passado. E, apesar de que a maioria do povo brasileiro ainda tende a ignorá-la, afeta a todos das maneiras mais drásticas e não só aos presos do 8 de janeiro ou àqueles que são censurados e perdem o direito de se manifestar.
O 7 de setembro, Dia da Independência, teve motivos para comemoração? Só se for para quem está alheio a tudo o que acontece no país ou está ganhando com isso.
Disfarçadamente ou quase sem nenhum disfarce, o Brasil poderá caminhar para a ditadura. Em uma versão diferente da mesma gestão petista em que a Operação Lava-Jato desvendou um sofisticado esquema de corrupção, praticamente os mesmos partidos políticos se encontram no poder, mas desta vez se impõem através da varredura dos inimigos utilizando recursos jurídicos, promovendo ingerência no Poder Legislativo.
As manifestações populares nas capitais brasileiras e o vazio das comemorações da Independência em Brasília traduzem claramente o sentimento popular de que não aceita a ditadura, imposta por decisões que buscam perseguir aqueles que ousam desafiar a corrupção, a má administração e a perpetuação de privilégios, assim como a manutenção de injustiças em nome de perseguições políticas.
“A pior ditadura é a do Poder Judiciário, contra ela, não há a quem recorrer”. Rui Barbosa.
Destaque – Crédito: Reaja Brasil / Reprodução





