As raízes do crime organizado estão sendo expostas em Brasília, DF. Não se trata apenas de ações isoladas, há supostos envolvimentos antigos e escabrosos que trazem o País aos dias nebulosos da atualidade.


Por um lado, as confusões na CPMI do INSS para quebrar o sigilo fiscal e bancário de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do atual presidente brasileiro, Luís Inácio da Silva, o Lula, e descobrir mensagens entre ele e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, após a revelação de mesada ao “filho do rapaz” — referindo-se a Lulinha —, no valor de R$ 300 mil.

Em outra ponta dessas raízes da corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o povo brasileiro, está o caso Master, que já é considerado o maior escândalo financeiro do Brasil e, segundo as evidências levantadas pela Polícia Federal, pode ter ligação também com as fraudes contra os aposentados do INSS. Por sua vez, a CPI do Crime Organizado também encontra relações entre o ministro do STF, Dias Toffoli, e a empresa Maridt Participações S.A., envolvida nas fraudes do Banco Master. Acompanhe.

Mendes derruba quebra de sigilo

Além desses levantamentos, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, concedeu liminar com habeas corpus e declarou a nulidade da quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações S.A., nesta sexta-feira (26).

O pedido para a quebra de sigilo foi feito pelo relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), no último dia 9. Segundo ele e levantamentos da Polícia Federal (PF), o ministro Dias Toffoli seria um sócio oculto da empresa, que é controlada por seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli.

A Maridt foi sócia do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), onde os funcionários o conhecem como o verdadeiro dono do empreendimento. Reportagens apontam que entre eles havia a participação de fundos do Banco Master. Para o senador, os irmãos de Toffoli atuariam como ‘laranjas’ nessa estrutura financeira.

Ao assumir a relatoria do caso Master, Dias Toffoli decretou sigilo absoluto e requisitou as provas em poder da PF. Devido às pressões da mídia e às revelações sobre o escândalo, o ministro da Suprema Corte teve de ser substituído na relatoria pelo ministro André Mendonça.

Para o ministro Gilmar Mendes, da mais alta corte do País, “a CPI não pode realizar devassas generalizadas sobre temas desconexos e investigar matérias fora do seu propósito original (…) argumentos que justificariam a medida, a pertinência com o fato determinado e a necessidade de ruptura de sigilos em extensão tão ampla”, apurou a Gazeta do Povo.

A Maridt é suspeita de lavar dinheiro para o Banco Master e o senador Alessandro Vieira disse que vai recorrer em todas as instâncias, em nota divulgada também na sexta-feira (26). “O Brasil entendeu que esse escândalo é grande demais para esconder debaixo do tapete. A sequência de decisões ‘atípicas’ é um sinal claro do quanto estamos perto de romper o mais antigo e forte acordão de impunidade do País. A lei deve valer para todos e vamos cumprir essa missão,” afirmou no X.

 


Destaque – Gilmar Mendes blinda sigilo de familiares de Toffoli. Senador Alessandro Vieira vai recorrer. Fotos: Senador Alessandro Vieira, em sessão da CPI do Crime do Organizado. Foto: Geraldo Magela / Agência Senado. Ministro Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr/SCO/STF


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