Sessão extraordinária expõe divergências internas sobre investigações do Banco Master e repercute na imprensa internacional a 19 dias das eleições.


O julgamento da Petição 16.662 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou notoriedade nacional e internacional ao colocar em evidência um dos momentos mais críticos da história da Corte. A sessão extraordinária desta terça-feira (15) acabou interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, recurso que já era previsto por analistas jurídicos, travando o andamento das deliberações. O processo envolve diretamente a atuação de magistrados e ocorre sob forte pressão política, com dezenas de pedidos de impeachment parados no Senado que, segundo parlamentares, não progridem devido à blindagem do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Na abertura dos trabalhos, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, fez um pronunciamento de 40 minutos em tom de apelo à preservação institucional. Fachin declarou que o momento exige sensatez, decoro e serenidade, ressaltando que divergir faz parte da atuação da Corte. O ministro enfatizou que a instituição não pertence aos seus atuais ocupantes, reforçando o dever de entregá-la intacta às gerações futuras sem permitir que o Tribunal saia encolhido do processo.

Placar dividido e acusações de investigações paralelas

Após um dia intenso de debates, a Corte formou um placar de 4 a 3 a favor do julgamento separado dos procedimentos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Moraes é citado nos relatórios da Polícia Federal por suposto envolvimento com Daniel Vorcaro no caso Banco Master, enquanto Mendonça é avaliado por eventuais erros administrativos na condução da investigação. Em sua defesa, Moraes argumentou que, na ausência de manifestação formal para investigá-lo, a petição deveria ser extinta imediatamente, tese da qual Fachin discordou.

A divisão na Corte refletiu diretamente no meio político. Parlamentares de oposição defenderam a atitude de André Mendonça de submeter os relatórios da Polícia Federal ao Plenário, acusando uma ala do STF de tentar anular o processo para blindar Moraes. Por outro lado, parlamentares alinhados ao governo e ao PT acompanharam a postura dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, sustentando que Mendonça conduziu uma apuração com viés eleitoral para gerar desgaste político.

Repercussão política e impacto internacional

No Congresso, deputados e senadores da oposição ecoaram a manifestação do ministro Luiz Fux sobre a existência de monitoramentos paralelos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a criticar a postura da Corte, defendendo nomeações futuras que respeitem a Constituição. Paralelamente, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) intensificou a coleta de assinaturas para a instalação da CPI do Banco Master, acusando o Tribunal de agir politicamente para barrar o trabalho dos investigadores.

A crise também reverberou na imprensa estrangeira. Veículos como The Washington Post, Reuters e El País destacaram em suas coberturas um Tribunal imerso em uma das piores crises institucionais de sua história. Os jornais internacionais sublinharam a anulação cruzada de decisões entre magistrados, a interferência política e o fato inédito de a Corte, em 135 anos de existência, se ver diante da investigação de seus próprios membros às vésperas do pleito eleitoral.


Destaque – Plenário do STF vive sessão de forte tensão durante julgamento de processos envolvendo ministros e o Banco Master. Foto: Gustavo Moreno/STF


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