Enquanto 81% das escolas proíbem celulares, 48% dos alunos usam chatbots de IA semanalmente para tarefas e distração digital custa 19 pontos em ciências.
O ambiente tecnológico nas escolas brasileiras apresentou transformações intensas entre 2022 e 2025, marcadas pela expansão do debate sobre o uso de telas e a entrada das ferramentas de inteligência artificial na rotina de estudos. No Brasil, 81% dos alunos de 15 anos frequentavam em 2025 escolas com restrição expressa ou proibição ao uso de telefones celulares nas dependências escolares — um salto relevante em comparação aos 37% registrados na edição de 2022 do PISA (a média atual da OCDE é de 49%).
Os estudantes brasileiros relataram gastar, em média, 1,3 horas por dia utilizando dispositivos digitais na escola para fins de aprendizagem (média da OCDE: 1,7 horas). No entanto, o tempo dedicado ao uso de telas para lazer em dias de aula chegou a 1,0 hora diária. A distração digital gerada por colegas de turma durante as aulas de ciências foi relatada por 25% dos alunos no Brasil. O impacto dessa desatenção mostrou-se severo: estudantes inseridos em ambientes com constante distração por telas obtiveram 19 pontos a menos nas provas de ciências em comparação aos que não relataram o problema — prejuízo superior à média de perda da OCDE (11 pontos).
O avanço da Inteligência Artificial e a infraestrutura das escolas
A adesão a ferramentas de inteligência artificial generativa já faz parte da rotina de metade dos estudantes brasileiros. O levantamento revela que 48% dos alunos de 15 anos no país utilizam chatbots de IA para auxiliar nos estudos pelo menos uma vez por semana (média da OCDE: 46%). Entre as utilizações mais frequentes estão a pesquisa preliminar sobre novos tópicos (40%), o resumo de textos obrigatórios (31%) e o rascunho de trabalhos escritos (27%). Apenas 11% dos estudantes no Brasil declararam nunca ou quase nunca utilizar a IA para finalidades escolares.
No tocante aos recursos materiais e humanos, 21% dos estudantes no Brasil estavam em escolas cujos diretores relataram prejuízos ao ensino por falta de professores (contra 39% na OCDE), número que permaneceu estável em relação a 2022. Por outro lado, a escassez de profissionais de apoio foi citada em escolas que atendem 35% dos alunos.
A deficiência de insumos físicos e tecnológicos continua afetando as instituições brasileiras: 26% dos alunos frequentavam colégios com carência de materiais didáticos, equipamentos de informática, acervo de biblioteca ou laboratórios, enquanto 28% estavam em unidades com problemas de infraestrutura física, iluminação, acústica ou climatização — mantendo os patamares observados em 2022.
A rotina de convivência escolar apresentou indicadores positivos na prevenção da violência: 17% dos estudantes relataram ter sofrido bullying algumas vezes por mês (frente a 20% na OCDE), mantendo a estabilidade em relação ao PISA 2022. O cyberbullying afetou 3% dos estudantes no país, alinhando-se à média internacional.
Destaque – Alunos acompanham atividades escolares sob regras de restrição de aparelhos celulares e inserção de IA no Brasil. Imagem: aloart / G. I. / IA image



