Partido Novo e parlamentares alegam proximidade indevida com Daniel Vorcaro e cobram exoneração do procurador-geral da República.


O Partido Novo e parlamentares da oposição protocolaram um pedido de impeachment contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, acompanhado de uma notícia-crime e de um ofício ao presidente da República exigindo sua exoneração. As medidas jurídicas e políticas foram apresentadas após a divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, as quais indicam proximidade indevida entre o chefe do Ministério Público Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em posicionamento institucional, a sigla defendeu que a permanência do procurador-geral tornou-se inviável diante dos fatos revelados e sustentou que a independência do órgão é inegociável para a preservação dos mecanismos de controle do Estado.

Investigação aponta tratativas e custeio de viagem

Ao comentar a iniciativa da oposição no Congresso Nacional, o deputado federal Marcel van Hattem ressaltou a incompatibilidade da permanência do chefe do Ministério Público Federal na condução das apurações. “Paulo Gonet não pode mais continuar à frente da PGR. Sua permanência no cargo é insustentável. Ele é suspeito para atuar no caso que envolve o Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes e precisa deixar o cargo imediatamente”, disse.

As peças protocoladas apoiam-se nos desdobramentos das apurações sobre a relação de autoridades com a instituição financeira. Segundo os dados levantados pela Polícia Federal, o empresário investigado buscava intervenção no alto escalão do Judiciário e do Ministério Público Federal para adiar medidas cautelares e contornar investigações, havendo ainda registro do custeio da viagem do filho do procurador-geral para um evento em Londres.

Ações cobram apuração independente no Congresso

Acerca do conjunto de representações apresentadas pelas bancadas oposicionistas, o congressista reforçou o objetivo das frentes atuantes no caso. “Estamos adotando todas as medidas cabíveis: pedido de impeachment, notícia-crime, pedido de exoneração e cobrança por uma investigação verdadeiramente independente. Ninguém pode estar acima da lei, muito menos quem tem o dever de fazê-la cumprir”, concluiu o deputado federal Marcel van Hattem.


Destaque – O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, durante Sessão plenária do STF, nesta quinta-feira (3). Foto: Gustavo Moreno/STF


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