O recuo do ICST em agosto reflete principalmente a piora das expectativas para os próximos meses.
O Índice de Confiança da Construção (ICST) do FGV IBRE apresentou queda de 0,6 ponto em agosto, atingindo 91,9 pontos. Sob a métrica de médias móveis trimestrais, o indicador recuou 0,3 ponto, situando-se em 92,0 pontos.
A variação negativa do período foi analisada pela equipe técnica do instituto. “O Índice de confiança setorial e seus componentes temporais voltaram a oscilar negativamente em agosto. O movimento refletiu dinâmicas distintas dos vários segmentos da construção: enquanto as empresas de Edificações Residenciais, Obras de Artes Especiais e Obras de Instalações apontaram melhora no ambiente de negócios, Edificações Não Residenciais, Obras Viárias e de Acabamento acusaram deterioração. No âmbito geral, destaques positivos para a melhora na percepção de crescimento, com alta do Indicador de Evolução Recente da Atividade e de Mão de Obra Prevista para os próximos meses. O setor vai sustentando um patamar elevado de atividade em 2026, a despeito da alta dos custos e da falta de mão de obra”, avaliou Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.
Desempenho dos componentes de situação atual e expectativas
A retração do ICST em agosto decorreu da influência combinada do Índice de Situação Atual (ISA-CST) e do Índice de Expectativas (IE-CST). O ISA-CST cedeu 0,4 ponto, para 91,7 pontos, ao passo que o IE-CST recuou 0,9 ponto, fechando em 92,1 pontos. No âmbito do ISA, o indicador de Situação Atual dos Negócios registrou 90,6 pontos, com variação de -0,3 ponto frente ao mês anterior, enquanto a Carteira de Contratos alcançou 93,0 pontos, com acréscimo de 0,4 ponto no comparativo mensal.
No que tange aos componentes do IE-CST, o indicador de Demanda Prevista somou 93,9 pontos, avançando 0,1 ponto em relação ao período prévio. Em sentido oposto, a Tendência dos Negócios caiu para 90,3 pontos, registrando recuo de 1,8 ponto ante o mês anterior.
Indicadores de capacidade instalada e evolução da atividade
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da Construção registrou alta de 2,7 pontos percentuais em agosto, alcançando 78,8%. Os subindicadores de NUCI de Mão de Obra e de Máquinas e Equipamentos também avançaram, subindo 2,7 e 2,4 pontos percentuais, para 80,3% e 72,9%, respectivamente.
No tocante ao mercado de trabalho, o setor mantém saldos líquidos positivos registrados pelo CAGED desde 2021. Embora o primeiro semestre de 2026 tenha sido marcado por uma percepção de desaceleração entre as empresas, esse comportamento foi revertido recentemente, com os dados consolidados apontando nova expansão no Indicador de Evolução Recente da Atividade.
Destaque – Imagem: aloart / G. I.



