Expansão do crédito perto de R$ 300 bilhões impulsiona vendas de veículos e leva setor a liderar o desempenho produtivo.
Enquanto grande parte das atividades econômicas indica perda de ritmo diante do cenário global adverso e da volatilidade doméstica, o segmento automotivo apresenta trajetória expansiva no país. Conforme análises apresentadas na Carta de Conjuntura do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP, o comércio ampliado mantém desempenho positivo sob o impulso direto da comercialização de veículos.
O diagnóstico do órgão aponta que a indústria geral registrou expansão de 1,5% no acumulado de 12 meses encerrado em junho, acompanhada pelo mesmo percentual do comércio restrito, enquanto o setor de serviços avançou 2,5%. No entanto, as concessionárias e revendedoras de veículos registraram alta de 11% nas vendas no comparativo anual até junho de 2026, com o volume de emplacamentos somando 1,6 milhão de unidades no primeiro sete meses do ano.
Oferta de crédito sustenta revisão nas projeções de vendas
A sustentação da atividade no setor automotivo apoia-se no volume de financiamentos bancários direcionados à aquisição de bens duráveis. O estoque de crédito destinado ao mercado de veículos aproxima-se da marca de R$ 300 bilhões, oferecendo liquidez para a renovação de frota de famílias e empresas, mesmo em um período de juros elevados para outras modalidades de consumo.
A liquidez observada no segmento levou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores a promover ajuste significativo em suas estimativas anuais. As projeções de expansão para 2026, inicialmente estipuladas em 3% no início do exercício, foram elevadas para 8,8%, consolidando o ramo automotivo como o principal motor do comércio ampliado.
Riscos fiscais globais e incertezas no cenário internacional
Apesar do desempenho aquecido do setor de veículos, o relatório da FecomercioSP alerta para os desdobramentos de fatores geopolíticos e macroeconômicos no médio prazo. Entre os pontos de atenção estão as pressões inflacionárias decorrentes de conflitos no Oriente Médio e os impactos da política fiscal norte-americana sob a administração de Donald Trump.
O avanço dos gastos públicos nos Estados Unidos para influenciar o pleito legislativo de novembro eleva o endividamento do governo americano, pressionando os títulos do Tesouro e encarecendo o custo global do dinheiro. Para a economia brasileira, o alinhamento de incertezas externas e ajustes fiscais internos exige cautela sobre a sustentabilidade do consumo dependente de crédito nas próximas etapas da atividade econômica.
Destaque – Imagem: aloart / G. I.



