Indicador da CNI aponta que apenas quatro segmentos mantêm otimismo em um cenário de pessimismo prolongado no setor produtivo.


A percepção do empresariado industrial brasileiro permanece em patamares desfavoráveis pelo vigésimo mês consecutivo. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria indica que o pessimismo afeta 25 dos 29 setores pesquisados. A ligeira movimentação em relação ao mês anterior, quando 26 segmentos demonstravam retração, não alterou o quadro geral de cautela no ambiente de negócios.

As oscilações regionais e de porte refletem o peso das incertezas econômicas globais e domésticas sobre o setor fabril.

“A pesquisa reforça esse estado de falta de confiança para o recorte setorial, os portes e as regiões do país. O Índice de Confiança, como um todo, avançou na passagem de julho para agosto de 2026, mas segue mostrando um estado de pessimismo há 20 meses consecutivos”, explica a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko.

Região Nordeste isola-se como a única otimista no país

O indicador recuou em 16 atividades econômicas no comparativo mensal. A retração foi puxada por segmentos como perfumaria, limpeza e higiene pessoal, que caíram para o campo de insatisfação. Em contrapartida, os setores de impressão e equipamentos eletrônicos registraram altas pontuais que permitiram superar a marca divisória de 50 pontos.

Na divisão por portes, as médias e grandes empresas registraram aumento na percepção negativa, quadro influenciado por barreiras comerciais e instabilidades no mercado externo.

“Isso pode estar relacionado à imposição das tarifas adicionais por parte dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, impactando as empresas exportadoras”, afirma Larissa Nocko. No recorte regional, o Nordeste permaneceu como a única localização geográfica a registrar pontuação no campo otimista.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.