Apreensão com o cenário presente e custo do crédito reduzem otimismo dos empresários do setor varejista no país.


O otimismo do comércio brasileiro recuou em agosto e atingiu o menor patamar do ano. Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o indicador avançou para 101,3 pontos após o ajuste sazonal, registrando uma retração de 0,6% em relação a julho. O resultado foi impulsionado pela piora na avaliação sobre a conjuntura atual e pela retração na intenção de novos investimentos estruturais.

A percepção sobre o momento presente sofreu queda de 2,5% na comparação mensal, refletindo o peso dos custos operacionais e da restrição ao crédito. O cenário de aperto monetário e inadimplência recorde afeta a capacidade de expansão das empresas.

“A cada mês, os números mostram o que também ouvimos em eventos por todo o Brasil: há expectativa e há força de vontade para trabalhar mais e melhor; porém, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos”, comenta o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Varejo mantém expectativa positiva em médio prazo

Em contrapartida, o subíndice de expectativa futura apresentou avanço de 1,1% na avaliação econômica global e atingiu 128,2 pontos. O contraste entre a insatisfação presente e a esperança em um horizonte mais favorável levou parte dos comerciantes a projetar expansão em contratações e recomposição de estoques para os próximos meses.

A desaceleração na confiança foi mais severa no segmento de bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e veículos, que registrou queda de 4,6% nas condições atuais. Bens essenciais e de menor valor unitário demonstraram maior resiliência no período.

A evolução da conjuntura depende da transmissão dos cortes na taxa Selic ao crédito final praticado no mercado.

“Mesmo que a taxa Selic mantenha sua queda responsavelmente, alguns meses são necessários para que essa futura redução chegue até o preço praticado pelo varejo e consequente alívio no bolso do cidadão. Só então, vencendo as instabilidades, teremos um arrefecimento nos níveis de comprometimento da renda tanto por parte dos empresários quanto dos consumidores”, avalia a economista da CNC Catarina Carneiro.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.