Solange Monteiro ­— Editora da Conjuntura Econômica da FGV IBRE.


A Síntese dos Indicadores de Confiança produzidos pelo FGV IBRE aponta que em agosto empresários e consumidores se mostraram menos confiantes, com uma revisão para baixo especialmente no campo das expectativas. O movimento segue a tendência da economia, que no segundo trimestre confirmou a esperada trajetória de desaceleração, conforme divulgou o IBGE esta semana, com uma expansão de 0,4% em relação ao primeiro trimestre do ano, quando o crescimento do PIB foi de 1,3% na mesma comparação.


Entre empresários, a queda da confiança foi registrada nos quatro setores analisados – indústria, construção, serviços e comércio. No agregado, as expectativas empresariais registraram o menor patamar desde a pandemia: 84,8 pontos. A avaliação sobre a situação dos negócios seis meses à frente é a que registra o nível mais baixo 79,5 pontos, contra 84,2 pontos para a avaliação quanto a três meses à frente. O ímpeto de contratações também recuou nos quatro setores pesquisados.

A maior retração aconteceu na indústria, com perda de 4,4 pontos em relação a julho, para 90,4 pontos, e de 11,2 pontos em relação a agosto de 2024. O aumento do pessimismo aconteceu tanto em relação à situação atual quanto às expectativas, mas foi mais intenso nesta segunda, com queda de 4,9 pontos em relação a julho (para 87,6 pontos) e de 11,7 pontos em relação ao mesmo mês do ano anterior. Com isso, o indicador chega ao seu menor nível desde 2021, quando o setor sofria o impacto do choque sanitário da Covid-19. “O indicador de expectativas de emprego caiu 5,9 pontos, para 91,2 pontos, alcançando o pior resultado desde junho de 2020”, diz Stefano Pacini, economista do FGV IBRE, lembrando que nesse período o país vivia o momento mais intenso de lockdown. Pacini destaca que as maiores contribuições para esse recuo – o que leva em conta não apenas a queda em si, mas o peso de cada segmento – foram alimentos, metalurgia, veículos automotores e produtos de metal.

No caso da construção, que que tem observado uma tendência de queda da confiança desde o segundo trimestre de 2024 – observando-se a média móvel trimestral –, o indicador fechou agosto em 91,6 pontos, o menor nível desde maio de 2021 (87,4 pontos). Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, diz que esse resultado “sugere que o cenário de crescimento robusto pode mudar a partir da decisão de empresas de adiar o início de obras ou alongar o ciclo produtivo”. As maiores quedas acumuladas no trimestre findo em agosto foram dos segmentos de preparação de terreno (-9,1 pontos), obras viárias (-4,9 pontos) e edificações residenciais (-2,9 pontos).

Serviço e comércio, por sua vez, se mantêm na lanterna da confiança, respectivamente com 87,1 e 83,1 pontos, distante do nível neutro de 100 pontos. No caso dos serviços, os segmentos que registram as maiores quedas, medidas em médias móveis trimestrais, são informação e comunicação (-2,5 pontos), serviços prestados às famílias (-2 pontos) e transportes (-1,1 ponto).

No caso dos consumidores, a queda das expectativas se deu diante da piora da avaliação dos respondentes quanto à percepção da situação econômica e financeira familiar, que registram retração há três meses consecutivos. “Esses resultados sugerem um quadro de cautela e preocupação com o futuro, tendo em vista, principalmente, os altos níveis de endividamento e inadimplência das famílias”, afirma Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE. Observada por faixa de renda, a retração nos resultados aconteceu nos extremos, entre consumidores com faixa de renda até R$ 2,1 mil e aqueles com renda acima de R$ 9,6 mil. As faixas intermediárias registraram alta na confiança.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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