Média de idade elevada e futebol burocrático na estreia da Copa fazem o torcedor questionar os critérios de Carlo Ancelotti nos bastidores do escrete canarinho.

Por AT & ASP News


O Brasil tem milhões de técnicos que se perguntam, neste exato momento, por que o italiano Carlo Ancelotti tira a alegria dos brasileiros e não coloca os meninos Rayan e Endrick de 19 anos. Não se trata apenas da estrela dos garotos como faros de gols ou de sua capacidade de marcá-los; a questão é que a Seleção Brasileira atual simplesmente não tem para quem lançar a bola na área adversária.

Igor Thiago que nos perdoe, mas o comandante técnico bem que poderia dar lugar a Endrick ou Rayan no segundo tempo da partida contra o Marrocos. No lance do lançamento de Vini Jr., aos 14 minutos de jogo, o centroavante Igor recebeu um passe espetacular e apenas raspou a cabeça na bola para desviar. Ele não subiu o suficiente para completar a jogada. Pesado, o atleta vai penar contra a garotada que atua nas seleções favoritas — dos Estados Unidos, a França e, como já ficou provado, a surpreendente seleção de Marrocos.

Os marroquinos, inclusive, têm a menor média de idade do Grupo C, mesclando jovens talentos com a experiência de alguns atletas mais rodados. Enquanto a média de idade de Marrocos é de 25,5 anos, o Brasil entra em campo com uma média de 28,7 anos e ostenta 11 jogadores acima dos 30 anos na bagagem.

Quem assistiu à goleada dos EUA por 4 a 1 sobre o Paraguai entende o cenário. Os norte-americanos tiveram pleno domínio físico da partida. O Brasil que se cuide: com este futebol atual, tocando a bola na base da “enceradeira”, com pouca criatividade e sem aquela garra que entusiasma a torcida, o time está mais perto de autenticar as previsões pessimistas de que não passará da fase de mata-mata, quanto mais chegar a conquistar o tão sonhado hexacampeonato.

Justiça seja feita ao ótimo Vini Jr., que correu, batalhou, revoltou-se com o pisão que levou do lateral Hakimi e salvou o Brasil de um fiasco maior. Seu gol salvador evitou o pior após a Seleção Brasileira passar 15 minutos “na roda” dos marroquinos.

O ‘Plano B’ das redes de transmissão

A Seleção Brasileira está profundamente envolvida em um grande espetáculo financeiro, inflada por contratos milionários de atletas e patrocinadores. A população, levada pelo clima de “partiu Copa” e por esquentas de três horas antes do apito inicial, serve de combustível para o “efeito Copa”, que injeta centenas de milhões de reais nos cofres das redes que dominam a mídia no país.

Servindo a gregos e troianos ao mesmo tempo, as emissoras detentoras dos direitos exclusivos querem vender a imagem de que veremos o verdadeiro futebol da Seleção. Contudo, após a péssima estreia na Copa do Mundo de 2026, os diretores de programação certamente já começaram a acionar o sinal de alerta e a pensar em um “plano B”.

Quando as seleções antigas entram em campo

Até a Netflix entrou no “campo” do saudosismo, promovendo produções como Brasil 70 – A Saga do Tri e o documentário Pelé. Outras conquistas marcantes, como o tetra de Romário e Bebeto em Tetra: Acreditar de Novo, e o penta de Ronaldo em Brasil 2002 – Os Bastidores do Penta, também estão em cartaz. São pratos cheios para incentivar uma geração inteira de brasileiros que ainda não viu o país erguer a taça esportiva mais importante do planeta.

Quem teve a oportunidade de assistir àqueles jogos sabe que a Seleção Brasileira de 1970 é incomparável, mesmo mais de cinco décadas após a conquista definitiva da Taça Jules Rimet. Vale o resgate histórico: 13 anos após ser trazido em definitivo, o troféu banhado a ouro foi roubado da sede da CBF, no Rio de Janeiro. A versão oficial é de que foi derretido; de qualquer forma, nunca foi recuperado. A taça pesava entre 3,8 kg e 4 kg, contendo cerca de 1,8 kg de ouro puro em seu revestimento.

O garoto de 1958 e o Rei atormentado de 1970

Na Copa de 1958, com apenas 17 anos, Pelé foi convocado pelo técnico Vicente Feola. Estreou na terceira partida e assombrou o mundo. O Brasil foi campeão e o menino chorou no peito do goleiro Gilmar, que agia como um irmão mais velho. Já em 1970, consagrado aos 29 anos, as notícias da época ironizavam dizendo que “Pelé estava morto” para o futebol. O Rei estava atormentado por ter se machucado gravemente nos mundiais de 1962 e 1966, e não queria jogar.

Quando se convenceu a entrar em campo, mostrou que os críticos estavam errados. “Estou vivo, estou vivo, estou vivo!”, berrou no vestiário, conforme revelou seu companheiro Rivellino no documentário da Netflix. Pelé jogou demais, abriu o placar na final contra a Itália, com um golaço de cabeça e deu passes geniais para Jairzinho e Carlos Alberto Torres sacramentarem o Tri.

O peso da bola e a coragem na barreira

Sobre cada jogador que compôs aquela mítica Seleção de 70, daria para escrever um livro. Uma das características marcantes daquela época é que formar uma barreira contra faltas era tarefa para atletas corajosos.
• Velocidade: a famosa “patada atômica” de Rivellino passava facilmente dos 100 km/h;
• Peso do jogo: a bola de 1970 pesava cerca de 50 gramas a mais do que a bola atual de 2026;
• O fator chuva: ao contrário da tecnologia de hoje, que impermeabiliza os materiais, as bolas antigas absorviam água em dias chuvosos, adicionando um peso extra considerável que castigava os jogadores da barreira.

Teimosia ou política nos bastidores?

Sem forçar comparações descabidas com o Rei do Futebol, a verdade é que os milhões de técnicos espalhados pelo Brasil continuam sem entender a insistência de Carlo Ancelotti e de seu filho (que atua como auxiliar-técnico). Os responsáveis pelo esquema tático canarinho mantêm Rayan e Endrick no banco de reservas sem lhes dar chances reais, mesmo diante do nó tático sofrido contra Marrocos.

Os registros sobre o Tri de 1970 mostram que a política sempre tentou se infiltrar no campo. Pelé foi duramente questionado por Paulo Cézar Caju sobre sua postura de ceder a entrevistas e apertar a mão do ditador Emílio Garrastazu Médici. Tanto Pelé quanto Caju merecem respeito por suas visões, que no fundo miravam a grandeza do futebol e não as divisões políticas da época.

Seja por teimosia ou por pressões políticas e financeiras de bastidores — que nos anos 1970 eram ditatoriais e hoje são comerciais e de empresários —, o eco das redes sociais reflete o desejo das ruas: o torcedor exige alternância e quer ver a estrela desses garotos perturbando as zagas adversárias.

Antes da glória em 1970, o polêmico técnico e jornalista João Saldanha tentou deixar Pelé no banco, alegando falsamente que o craque tinha problemas de visão. Se ele usava isso como metáfora para abrir os olhos do craque sobre a situação política do país, nunca saberemos. O fato é que Saldanha caiu, Zagallo assumiu e o Brasil foi Tri. Ancelotti tem contrato até 2030… por enquanto.


Destaque – Estreia da Seleção preocupa e fantasma da eliminação reaparece. Vinicius Júnior marca seu décimo gol e salva a Seleção Brasileira. Crédito: Nelson Terme / CBF


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