Nova classe de medicamentos fotoativáveis pode substituir agulhas por comprimidos no combate à retinopatia diabética e à degeneração macular


Uma inovação científica desenvolvida na Europa pode transformar drasticamente o tratamento de duas das maiores causas de perda de visão no mundo: a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Pesquisadores do projeto NeoVasculoStop, financiado pela União Europeia e coordenado pela Universidade Semmelweis, na Hungria, criaram uma nova classe de princípios ativos que abre caminho para a criação de um medicamento administrado por via oral.

Atualmente, o tratamento padrão para conter o avanço dessas condições exige injeções periódicas aplicadas diretamente no globo ocular. Embora eficazes, essas intervenções causam desconforto significativo, demandam visitas frequentes a clínicas especializadas e geram grande sobrecarga para pacientes e sistemas de saúde.

O avanço da fotoativação e o impacto populacional

Estima-se que mais de 420 milhões de pessoas vivam com algum tipo de doença na retina globalmente. Com o envelhecimento da população mundial e o aumento contínuo nos diagnósticos de diabetes, a tendência é que essa demanda cresça expressivamente nas próximas décadas.

Para oferecer uma alternativa menos invasiva e mais acessível, o grupo de cientistas desenvolveu moléculas capazes de interagir com receptores oculares de maneira fotoativável, impulsionadas pela incidência de luz. Os testes pré-clínicos realizados em laboratório e em modelos animais demonstraram resposta positiva e eficácia terapêutica mesmo com o uso de doses muito baixas do composto.

“Medicamentos administrados por via oral podem oferecer uma alternativa de fácil aplicação, menos invasiva e mais aceitável do que as injeções usadas atualmente para tratar essas doenças”, explicou Krisztián Kovács, pesquisador principal do Grupo de Pesquisa Translacional em Retina da Universidade Semmelweis.

Próximas etapas e testes em humanos

A nova família de moléculas já teve sua patente registrada e foi reconhecida pelo Radar de Inovação da Comissão Europeia como uma tecnologia-chave para a saúde global. O projeto avança agora para a fase de produção sob normas de fabricação de insumos farmacêuticos e para a condução de estudos de segurança.

A equipe prepara a definição da estrutura e dos objetivos dos primeiros ensaios clínicos com seres humanos. O objetivo final é consolidar a transição da pesquisa de bancada para o desenvolvimento clínico comercial, disponibilizando no mercado uma terapia indolor e de simples administração.


Destaque – Pesquisa europeia desenvolve composto oral para tratar doenças graves da retina sem o uso de injeções oculares. Imagem: aloart / G.I.


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