Aprovação da MP da ‘Taxa das Blusinhas’ em comissão mista ameaça ecossistema que movimenta R$ 5,3 bilhões e emprega 19,4 mil trabalhadores.
A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV) emitiu hoje (2), um alerta sobre os reflexos na produção nacional após a aprovação, na comissão mista do Congresso Nacional, da Medida Provisória da chamada “Taxa das Blusinhas”. A matéria mantém a isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 e segue para deliberação nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal sob risco de perda de eficácia em 8 de setembro. A entidade aponta que a medida amplia a assimetria competitiva contra o Polo de Moda do Bom Retiro, em São Paulo, onde a maioria dos produtos comercializados concorre diretamente na mesma faixa de preço.
Dimensão do polo atacadista e ecossistema produtivo
Segundo o Censo do Bom Retiro – Indústria e Varejo 2025, encomendado pela ABIV ao IEMI – Inteligência de Mercado, o bairro da capital paulista abriga uma estrutura concentrada que engloba confecção, atacado, distribuição e varejo.
O estudo detalha os indicadores econômicos do polo:
• Faturamento e produção: Movimentação anual de R$ 5,3 bilhões e confecção de 50,5 milhões de peças de vestuário por ano;
• Estrutura e empregos: Concentração de 19,4 mil trabalhadores diretos, sendo 95% composta por pequenas e médias empresas e 97% com produção própria;
• Abastecimento do varejo: Pesquisa com 280 lojas multimarcas em todo o país revela que polos de pronta entrega representam 54% do volume de compras do varejo nacional, superando os pedidos feitos diretamente às fábricas (44%).
“O Bom Retiro é um ecossistema que reúne produção, atacado, distribuição e varejo, e movimenta uma cadeia de serviços, transporte, hotelaria e turismo ligada ao fluxo de compradores que chegam de diferentes regiões do país. Já temos lojistas percebendo queda nas vendas nos últimos meses e existe uma preocupação real de que, mantidas condições tão desiguais de competição, muitos negócios não consigam sustentar suas operações. É fundamental termos condições equilibradas para competir, com regras tributárias e regulatórias que não coloquem as empresas brasileiras em desvantagem em relação às estrangeiras”, afirmou a presidente da ABIV, Cinthia Kim.
Impactos regulatórios e cadeia de valor
A entidade destaca que a indústria nacional enfrenta assimetrias que vão além do tributo sobre a venda final, envolvendo encargos trabalhistas, normas ambientais, sanitárias e custos logísticos e financeiros.
“Esses dados mostram que, quando falamos da competitividade da moda brasileira, não estamos falando apenas de uma fábrica ou de uma loja isoladamente. Estamos falando de milhares de empresas que produzem, comercializam e geram empregos no país e que estão sujeitas à tributação nacional e a obrigações trabalhistas, ambientais, sanitárias, de segurança e de conformidade, além de custos financeiros e logísticos. É esse conjunto que precisamos preservar”, concluiu Cinthia Kim.
Destaque – Polo de Moda do Bom Retiro, em São Paulo, movimenta R$ 5,3 bilhões por ano e concentra confecções nacionais. Imagem: aloart / G. I.



