Índice recuou pelo segundo mês consecutivo, revertendo a trajetória positiva do primeiro semestre.


O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do FGV IBRE apresentou queda de 3,5 pontos em agosto, caindo para 93,7 pontos. Na medição por médias móveis trimestrais, o indicador cedeu 1,1 ponto, fechando o período em 97,0 pontos.

A retração observada no mês representou o movimento negativo mais intenso do indicador nos últimos doze meses. “Neste mês, a confiança da indústria teve sua maior queda desde agosto do ano passado. Nos primeiros meses desse segundo semestre nota-se movimento de arrefecimento da demanda e novo acúmulo de estoques na maior parte dos segmentos. Setores relacionados à bens de capital e de consumo duráveis mantém alguma resiliência devido à políticas setoriais, mas seguem sensíveis à política monetária. Em relação ao futuro, o resultado reflete uma perspectiva geral de desaceleração da atividade econômica e possíveis aumentos da incerteza com a intensificação dos debates sobre as eleições. Apesar da estabilidade do mercado de trabalho e das políticas de estímulo setoriais, o cenário macro segue dividido, com juros elevados e pressão inflacionária, fatores determinantes para uma desaceleração da confiança.”, comenta Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE.

Queda acentuada no ISA e IE reflete desafios na demanda e expectativas da indústria

A perda de fôlego do setor atingiu 14 das 19 atividades industriais acompanhadas pela Sondagem. A retração foi impulsionada pela combinação de desaceleração nas avaliações do presente e nas perspectivas prospectivas. O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 5,0 pontos, para 94,9 pontos, atingindo o menor patamar desde dezembro de 2025. Já o Índice de Expectativas (IE) cedeu 2,0 pontos, situando-se em 92,6 pontos, nível mais baixo desde novembro de 2025.

No âmbito do ISA, a maior pressão negativa partiu do indicador de demanda total, que encolheu 5,1 pontos e atingiu 97,1 pontos, menor nível desde dezembro de 2025 (96,2 pontos). O componente de situação atual dos negócios caiu 4,1 pontos, para 95,4 pontos. Já o indicador do nível de estoques avançou 5,4 pontos, alcançando 107,5 pontos, pior registro desde dezembro de 2025 (109,1 pontos). Pontuações acima de 100 pontos no componente de estoques indicam operação com volumes excessivos ou acima do desejado.

No eixo das expectativas, as perdas mais expressivas ocorreram na produção prevista e na evolução dos negócios. O indicador de produção prevista encolheu 3,1 pontos, para 90,2 pontos, atingindo o menor patamar desde novembro de 2025. Da mesma forma, o componente de tendência dos negócios cedeu 2,5 pontos, fechando-se em 90,6 pontos. Em menor dimensão, o indicador de expectativas de emprego recuou 0,3 ponto, para 97,3 pontos.

Por fim, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (NUCI) permaneceu sem variação no mês de agosto, mantendo a marca de 82,9 pontos percentuais.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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