Após queda em julho, confiança avançou impulsionada pelos dois horizontes temporais.


O Índice de Confiança de Serviços (ICS) do FGV IBRE avançou 1,2 ponto em agosto, alcançando 89,0 pontos. Sob a ótica da média móvel trimestral, o indicador registrou ligeira estabilidade, apresentando variação positiva de 0,1 ponto e fechando o período em 89,2 pontos.

A recuperação do segmento foi impulsionada tanto pela visão sobre o momento presente quanto pelas perspectivas prospectivas. “A confiança de serviços voltou a subir em agosto, recuperando parte da perda do mês anterior, puxada tanto pela percepção sobre a situação atual quanto pelas expectativas para os próximos meses. O movimento de alta não se disseminou por completo entre os segmentos e pode refletir, em parte, uma compensação após a forte queda de julho. No cenário interno, o resultado é favorecido pelo recuo recente da inflação e por um mercado de trabalho ainda resiliente. Ainda assim, os juros reais permanecem elevados e o endividamento das famílias segue como contrapeso, num quadro em que o avanço do El Niño ameaça pressionar novamente os preços de alimentos e energia. Com isso, um possível afrouxamento da política monetária pode demorar mais que o previsto, o que reforça a cautela quanto à trajetória do setor ao longo do segundo semestre”, avalia Stéfano Pacini, economista do IBRE.

Avanço do ICS reflete melhora na situação atual e nas expectativas

O desempenho do ICS decorreu da evolução positiva dos seus dois eixos. O Índice de Situação Atual (ISA-S) subiu 1,3 ponto, para 90,8 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) registrou alta de 1,0 ponto, atingindo 87,3 pontos.

No âmbito do ISA-S, o indicador de volume de demanda atual apresentou avanço de 0,6 ponto, para 91,2 pontos, e o componente de situação atual dos negócios cresceu 2,0 pontos, chegando a 90,3 pontos. Na medição do IE-S, o componente de demanda prevista nos próximos três meses avançou 2,1 pontos, fechando em 86,8 pontos. Já o indicador de tendência dos negócios para os seis meses subsequentes manteve-se estável, sem variação, registrando 88,0 pontos.

Escassez de mão de obra qualificada segue relevante para o setor

A falta de mão de obra qualificada como fator limitante aos negócios mantém trajetória ascendente desde 2023. A elevação concentra-se nos segmentos de Serviços Prestados às Famílias e Serviços Profissionais, que operam nos patamares mais elevados da série histórica por serem atividades intensivas em trabalho, favorecidas pela manutenção do desemprego em patamares baixos. Contudo, a categoria de Serviços Prestados às Famílias mostra sinais de acomodação na margem após alcançar o pico da série.

“O avanço persistente desse fator, sobretudo nas atividades mais dependentes de mão de obra, indica que parte das dificuldades do setor vem do lado da oferta de trabalho, e não da falta de demanda, reflexo de um mercado de trabalho que segue aquecido”, avalia Pacini.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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