São Paulo registra 23 casos da infecção no estado e acende alerta para a queda da cobertura vacinal nos últimos anos.
O aumento dos casos de sarampo no estado de São Paulo levou as autoridades de saúde a reforçarem as ações de vacinação. Em 2026, já foram confirmados 23 casos da doença, sendo 20 deles concentrados na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Diante desse cenário epidemiológico, reacendeu-se na população a dúvida sobre como diferenciar o sarampo da catapora, duas enfermidades virais frequentemente confundidas por provocarem alterações na pele, mas que possuem causas e evoluções distintas.
A alta taxa de contágio do sarampo é um dos fatores críticos para o surgimento de surtos urbanos, uma vez que a transmissão ocorre de forma rápida antes mesmo do diagnóstico definitivo.
Diferenças sintomáticas e formas de contágio
De acordo com a biomédica Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio, a distinção entre as duas patologias começa pelo agente causador e pelo padrão das manifestações clínicas na pele.
“O sarampo é uma infecção causada por um dos vírus mais contagiosos conhecidos, transmitido principalmente por gotículas respiratórias eliminadas durante a fala, tosse ou espirro, podendo ser transmitido antes mesmo do aparecimento completo dos sintomas, o que favorece a ocorrência de surtos”, explica a Dra. Alice Del Colletto.
Já a catapora apresenta uma evolução clínica diferente, marcada pelo formato e comportamento das lesões cutâneas.
“A catapora é provocada pelo vírus varicela-zóster e, apesar de também ser transmitida pelas vias respiratórias e pelo contato com as lesões de pele, costuma evoluir de outra forma. Sua principal característica é o surgimento de pequenas bolhas que provocam coceira intensa e aparecem em diferentes fases pelo corpo. Já o sarampo costuma causar febre alta, tosse, coriza, olhos avermelhados, sensibilidade à luz e manchas avermelhadas que geralmente começam no rosto e depois se espalham para outras regiões do corpo”, completa a especialista.
Cobertura vacinal e proteção coletiva
A reemergência da circulação do sarampo no território paulista está diretamente associada à queda nos índices de imunização registrados recentemente. A vacinação atua como uma barreira coletiva, impedindo que o vírus encontre indivíduos suscetíveis para dar continuidade à cadeia de transmissão.
“Quando a cobertura vacinal diminui, o vírus encontra mais pessoas suscetíveis e consegue voltar a circular. A vacinação é uma ferramenta coletiva, ou seja, além de proteger quem recebe a vacina, contribui para reduzir a transmissão e proteger pessoas que não podem ser imunizadas por condições específicas de saúde. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é segura, altamente eficaz e fundamental para evitar novos surtos”, afirma Alice.
A especialista destaca ainda que indivíduos previamente infectados pelo sarampo desenvolvem resposta imunológica duradoura para o resto da vida, sendo raríssimos os casos de reinfecção. Independentemente disso, a manutenção do esquema vacinal atualizado, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI), permanece como a principal estratégia de prevenção contra as formas graves de ambas as doenças.
Destaque – Autoridades de saúde em São Paulo reforçam a vacinação contra o sarampo após aumento de casos confirmados. Imagem: Governo de SP



