Relatório do presidente Donald Trump afirma que facções transformaram o país em polo global de drogas, mas preserva o governo brasileiro fora da lista de sanções severas.


O governo dos Estados Unidos submeteu ao Congresso a Determinação Presidencial sobre os principais países de trânsito e produtores de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027. O documento oficial traz duras críticas à condução das políticas de segurança no Brasil e aponta o avanço das facções criminosas nacionais como uma ameaça de proporções globais.

Na avaliação do governo americano, enquanto diversos países do Hemisfério Ocidental vêm adotando medidas firmes para conter o narcotráfico, o governo do Brasil falhou em confrontar as organizações classificadas por Washington como grupos terroristas estrangeiros: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A Casa Branca afirma expressamente que as duas facções “transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína” e alerta que essas organizações representam risco crescente à paz e à segurança internacionais, exigindo ações urgentes do governo brasileiro para que sejam derrotadas antes de ampliarem sua expansão.

Apesar dos alertas severos em relação às facções brasileiras, o país não foi incluído na lista das nações que demonstraram “falhas substanciais” no cumprimento dos acordos internacionais de combate às drogas — grupo reservado este ano a Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia. Para esses países, no entanto, a administração americana manteve a prestação de assistência sob a justificativa de que o apoio permanece vital para os interesses nacionais dos Estados Unidos.

Densa Recomposição Geopolítica e Alianças Globais

O relatório presidencial faz um panorama minucioso do cenário global e destaca progressos significativos em parcerias estratégicas. Os Estados Unidos saudaram os esforços do Primeiro-Ministro Narendra Modi e do governo da Índia no combate ao cultivo ilícito da papoula de ópio e no fortalecimento da cadeia de suprimentos, prevendo a continuidade da cooperação bilateral por meio da Estrutura de Política de Drogas Estados Unidos-Índia.

Na América do Sul, o documento celebra o compromisso da presidente Keiko Fujimori, no Peru, para desmantelar o crime organizado e reduzir o fluxo de cocaína rumo ao território americano. A Casa Branca elogiou abertamente a liderança e os resultados obtidos por três de seus principais aliados no hemisfério — Argentina, Equador e El Salvador — no combate direto ao narcoterrorismo.

A avaliação também registra mudanças drásticas na diplomacia regional. A Venezuela deixou de ser classificada no status de descumprimento comprovado, após avanços da administração interina de Delcy Rodríguez na neutralização do grupo criminoso Tren de Aragua e na eliminação de suas lideranças. Da mesma forma, os EUA sinalizaram a possibilidade de rever sanções aplicadas à Bolívia e à Colômbia no próximo ano fiscal, impulsionados pela cooperação com as gestões de Rodrigo Paz e Abelardo de la Espriella na erradicação de lavouras e ações policiais.

Cobranças na Fronteira Norte e Repressão a Regimes Autoritários

Em relação à América do Norte, embora tenha reconhecido o aumento na apreensão de drogas sob a presidência de Claudia Sheinbaum no México, a Casa Branca exigiu rigor adicional contra organizações que dominam porções do território mexicano. Entre as demandas estão o reforço de inspeções portuárias, a proteção da cadeia de suprimentos e o combate ostensivo à corrupção de agentes públicos que auxiliam os cartéis. Já no Canadá, o documento cobrou ações urgentes para desmantelar laboratórios clandestinos de fentanil e barrar redes criminosas operadas por grupos chineses ao longo da fronteira norte.

Por fim, a determinação presidencial teceu duras condenações a regimes autoritários. O documento classificou o governo de Ortega-Murillo na Nicarágua como uma “ditadura socialista” cúmplice do tráfego de entorpecentes, apontou que o regime militar da Birmânia converteu o país no maior fornecedor mundial de ópio ao lado da produção sintética, e ressaltou que o Afeganistão, sob o comando do Talibã, continua alimentando o mercado global de drogas e financiando o terrorismo internacional.


Destaque – O presidente Donald Trump divulgou relatório anual sobre narcóticos e segurança global que inclui o Brasil. Foto: Molly Riley / Casa Branca


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