Desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências registra estagnação há mais de uma década, com ampliação da desigualdade entre alunos de alta e baixa nota.
Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) 2025 revelam que os estudantes brasileiros de 15 anos mantiveram seus resultados praticamente estáveis em relação à edição de 2022 nas três áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências. O levantamento, aplicado a 30.140 alunos em 1.053 escolas — representando uma população estimada em 2,18 milhões de jovens no país —, aponta que essa estagnação do aprendizado não é um fenômeno recente, mas uma tendência estrutural mantida desde 2015.
Apesar da estabilidade nas médias gerais, o relatório indica que a diferença de desempenho entre os 10% de alunos com as notas mais altas e os 10% com as notas mais baixas aumentou na prova de matemática entre 2022 e 2025, evidenciando o estiramento das disparidades de aprendizagem. Em leitura e ciências, o hiato entre os extremos permaneceu sem alterações significativas durante o mesmo período de três anos.
Em comparação com os indicadores globais de 2015, a proporção de alunos brasileiros no nível de baixo desempenho — com pontuação inferior ao Nível 2 de proficiência — permaneceu inalterada em matemática e leitura, mas registrou uma redução de 4 pontos percentuais em ciências, apontando um avanço pontual na base de desempenho científico.
Raio-x das proficiências: matemática, leitura e ciências
O detalhamento dos níveis de conhecimento mostra uma distância considerável entre os estudantes brasileiros e as médias dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em ciências, 48% dos alunos no Brasil atingiram o Nível 2 ou superior (diante da média de 74% da OCDE), piso em que o estudante consegue reconhecer explicações corretas para fenômenos simples e validar conclusões com base em dados fornecidos. Apenas 1% dos alunos brasileiros alcançou os níveis de excelência 5 ou 6 na disciplina, frente a 7% no bloco internacional e a mais de 85% nas economias asiáticas e da Estônia.
Na prova de leitura, 49% dos estudantes brasileiros alcançaram o Nível 2 de proficiência (contra 69% na OCDE), demonstrando capacidade para identificar a ideia central em textos de extensão moderada e diferenciar fatos de opiniões explícitas. No topo da régua leitora, somente 1% dos alunos no Brasil atingiu o Nível 5 ou superior (média de 6% na OCDE), patamar que exige a interpretação de conceitos abstratos, textos longos e distinção de nuances informativas por pistas implícitas.
A matemática apresenta o cenário mais crítico do levantamento nacional: apenas 28% dos estudantes de 15 anos no Brasil atingiram o nível mínimo de proficiência (Nível 2), enquanto a média da OCDE ficou em 65%. Isso indica que 72% dos jovens brasileiros não conseguem interpretar e reconhecer situações cotidianas simples representadas matematicamente, como a conversão de preços entre moedas ou a comparação de distâncias em rotas alternativas. O grupo de alto desempenho em matemática no Brasil foi classificado como quase nulo, enquanto a OCDE registra 8% e jurisdições asiáticas superam os 50%. Na avaliação inédita de resolução de problemas computacionais, o desempenho médio nacional também permaneceu inferior à média dos países da OCDE.
Destaque – Estudantes brasileiros realizam provas do PISA 2025, que apontaram estagnação de notas e baixo índice de proficiência em matemática. Imagem: aloart / G. I. / IA image



