Durante muito tempo, falar sobre formação de líderes significou discutir conhecimento técnico, capacidade de gestão e preparação para o mercado. Esses elementos continuam fundamentais, mas já não são suficientes para responder aos desafios que organizações e sociedade enfrentam.

As novas gerações chegam às escolas de negócios em um cenário marcado por transformações profundas. Sustentabilidade, desigualdade, inteligência artificial, mudanças nas relações de trabalho e desafios geopolíticos passaram a fazer parte das decisões que os futuros líderes precisarão tomar. Nesse contexto, existe uma questão que merece mais atenção: qual é o espaço dado aos próprios estudantes na construção do debate sobre a educação e a liderança que queremos para o futuro?

A formação de líderes responsáveis não pode acontecer apenas de forma vertical. É preciso ouvir aqueles que estão sendo preparados para assumir essas posições e entender quais são suas expectativas, preocupações e propostas para o mundo que encontrarão pela frente.

Essa discussão ganhou um exemplo concreto com a nomeação de um aluno brasileiro para a posição de PRME Student Regional Leader para a América Latina. Durante um ano, ele representará estudantes da região em uma iniciativa internacional dedicada à educação para a gestão responsável e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), participando também de fóruns e eventos internacionais.

Mais do que uma conquista individual, experiências como essa mostram a importância de criar espaços para que estudantes participem ativamente das discussões que envolvem o futuro da educação e dos negócios.

Essa visão está alinhada ao papel que instituições de excelência precisam desempenhar combinando a formação acadêmica, conexão com o mercado e experiências práticas, mantendo também reconhecimento nacional e internacional pela qualidade de seus programas. O compromisso do ensino superior com a formação de líderes precisa acompanhar justamente essa transformação: preparar profissionais não apenas para tomar boas decisões de negócio, mas para compreender o impacto dessas decisões na sociedade.

Quando um estudante passa a representar seus pares em fóruns internacionais, ele deixa de ocupar apenas o papel de aluno e passa também a contribuir para a construção do debate. E essa mudança de perspectiva é importante.

As escolas de negócios têm responsabilidade que vai além de preparar profissionais para ocupar posições de liderança. Elas precisam formar pessoas capazes de compreender diferentes perspectivas, avaliar as consequências de suas escolhas e tomar decisões em ambientes cada vez mais complexos.

Para a América Latina, essa participação ganha ainda mais relevância. A região possui desafios próprios e uma diversidade econômica, social e cultural que precisa estar presente nas discussões globais sobre educação, desenvolvimento e liderança responsável.

Formar líderes para o futuro, portanto, exige mais do que atualizar currículos. Exige ampliar o diálogo e aproximar a formação acadêmica dos grandes desafios da sociedade. Acredito que um dos caminhos mais importantes seja justamente dar aos estudantes não apenas conhecimento para participar do futuro, mas também voz para ajudar a construí-lo.


Roberto Sbragia – Presidente da FIA Business School.


Destaque – Formação de novas lideranças e debate sobre o futuro do ensino de negócios exigem a inclusão ativa da voz dos estudantes. Imagem: aloart / G. I. / IA image


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