Encontro com ministros do Tribunal de Contas da União discute a recuperação da malha entre Minas Gerais e Rio de Janeiro para baratear fretes e reduzir custos.


Representantes do setor produtivo de Minas Gerais e do Rio de Janeiro reuniram-se nesta terça-feira (19) com ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) para tratar do fortalecimento e da modernização da malha ferroviária interestadual. O presidente do Sistema Fecomércio MG, Nadim Donato, o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, e o consultor técnico Delmo Manoel Pinho apresentaram aos ministros Antonio Anastasia, Bruno Dantas e Odair Cunha propostas para ampliar a competitividade do transporte de cargas entre os dois estados.

As tratativas focaram no reaproveitamento e na modernização de trechos ociosos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), com destaque para o projeto da chamada Ferrovia do Café. A iniciativa visa estruturar um corredor logístico contínuo para integrar importantes polos cafeeiros e agroindustriais do Sul de Minas — como as regiões de Varginha, Três Corações e Lavras — até os terminais portuários fluminenses.

Operação bidirecional e impacto na redução do Custo Brasil

Um dos pontos centrais defendidos pelas lideranças empresariais é o aproveitamento logístico nos dois sentidos da via férrea. A estratégia prevê não apenas o escoamento do café e de commodities mineiras para exportação pelos portos do Rio de Janeiro, mas também a utilização dos vagões na viagem de retorno para transportar insumos, bens de consumo e mercadorias importadas com destino ao mercado mineiro.

Para a liderança da Fecomércio MG, o modelo bidirecional otimiza a operação e reflete diretamente na ponta final da cadeia consumidora.

“Estamos falando de uma ferrovia que pode levar o café e outros produtos de Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro com mais eficiência, mas também trazer mercadorias para o Estado no retorno. Aproveitar os dois sentidos da ferrovia melhora a distribuição, reduz o custo da operação e pode fazer com que mais produtos cheguem a Minas Gerais a preços menores. É uma agenda que ajuda a reduzir o Custo Brasil e aumenta a competitividade das empresas”, afirma Nadim Donato, presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac.

Eficiência logística e integração entre comércio, indústria e agronegócio

A transição de cargas do modal rodoviário para o ferroviário busca diminuir a dependência de fretes mais caros, reduzindo a vulnerabilidade das empresas a oscilações de custos operacionais. A articulação visa garantir segurança jurídica e viabilidade técnica na renovação ou repactuação dos contratos ferroviários sob análise no TCU.

A otimização desse eixo de transporte beneficia de forma transversal o comércio de bens, o setor de serviços, a indústria e o agronegócio. A Fecomércio MG, entidade que representa mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos no estado, reitera que a reativação estratégica da infraestrutura ferroviária é indispensável para promover o desenvolvimento regional, baratear o abastecimento e ampliar a presença dos produtos brasileiros no comércio internacional.


Destaque – Lideranças empresariais de MG e RJ reúnem-se no TCU para debater a reativação da Ferrovia do Café. Foto: Fecomércio MG


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