Entidade alerta para a disparidade tributária entre o empresas brasileiras e plataformas estrangeiras após aprovação da MP no Congresso.


A aprovação no Congresso da medida que mantém zerada a alíquota do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 reacendeu o debate sobre a competitividade dos pequenos negócios no Brasil. Para a Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE), embora o cenário traga alívio financeiro ao consumidor, a decisão exige ações imediatas do governo para reduzir o Custo Brasil e mitigar o desequilíbrio tributário em relação às grandes plataformas estrangeiras.

A Medida Provisória 1.357/2026 foi aprovada na Câmara e no Senado no dia 3 de setembro e segue para sanção presidencial. Com a regra, a tributação federal isenta na faixa de até US$ 50 as compras realizadas via empresas certificadas no programa Remessa Conforme, mantendo-se a incidência do ICMS cobrado pelos estados.

Entretanto, a entidade ressalta que o incentivo ao consumo internacional não pode desconsiderar o impacto na economia nacional. Enquanto produtos importados ganham isenção federal, o ecossistema empreendedor brasileiro permanece submetido a altas cargas fiscais, entraves burocráticos e custos operacionais elevados.

“Não existe desenvolvimento econômico sustentável quando é preciso escolher entre o consumidor e o empresário brasileiro. O caminho deve ser reduzir o custo para quem compra, diminuir a burocracia e a carga que sufoca quem empreende e criar condições para que o pequeno negócio brasileiro possa competir em igualdade”, afirma o presidente da CONAJE, Fabio Saraiva.

Segundo dados do Sebrae, os pequenos negócios totalizam 24 milhões de empreendimentos — correspondendo a 95% das empresas ativas no país. O segmento é responsável por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e respondeu por 80% dos postos de trabalho gerados em 2025.

Riscos à competitividade nacional

A grande preocupação da CONAJE é que a manutenção da assimetria fiscal acelere a migração do consumo para fora do país, afetando o faturamento do comércio local e a retenção de postos de trabalho. A entidade argumenta que, embora os investimentos em inovação e tecnologia sejam cruciais para o setor, eles não conseguem neutralizar a disparidade estrutural decorrente da tributação.

Além do monitoramento contínuo, o texto aprovado no Congresso estabeleceu obrigações para que operadores logísticos e plataformas intensifiquem o combate ao subfaturamento, fracionamento de remessas e outras fraudes fiscais. Em paralelo, o Ministério da Fazenda deverá emitir relatórios de impacto econômico a cada seis meses, com a primeira avaliação prevista para o prazo de três meses.

Diante desse panorama, a confederação defende que o acompanhamento ministerial resulte em medidas corretivas imediatas caso fiquem comprovados prejuízos ao mercado interno, priorizando a simplificação tributária e o acesso facilitado ao crédito.

“Defendemos um Brasil onde comprar seja mais barato, empreender seja mais simples e competir seja mais justo”, completou Saraiva.


Destaque – “Taxa das blusinhas” reflete desigualdade tributária. Imagem: aloart / G. I.


Leia outras matérias desta editoria

Pequenos negócios enfrentam desigualdade com o fim da “taxa das blusinhas”

Entidade alerta para a disparidade tributária entre o empresas brasileiras e plataformas estrangeiras após aprovação da MP no Congresso. A aprovação no Congresso da medida que mantém zerada a alíquota do Imposto de Importação para compras internacionais de...

ABIV alerta para impactos da desoneração até US$ 50 no Bom Retiro

Aprovação da MP da ‘Taxa das Blusinhas’ em comissão mista ameaça ecossistema que movimenta R$ 5,3 bilhões e emprega 19,4 mil trabalhadores. A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV) emitiu hoje (2), um alerta sobre os reflexos na produção...

Confiança da indústria paulista permanece no pessimismo em agosto

Índice de Confiança do Empresário Industrial de São Paulo fecha em 44,9 pontos, mantendo sinalização de cautela abaixo dos 50 pontos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de São Paulo encerrou o mês de agosto de 2026 registrando 44,9 pontos. O...

Fiesp questiona urgência na PEC do 6×1 e pede debate técnico no Senado

Entidade afirma que proposta atende ao calendário eleitoral e pode encarecer em até 20% o custo da força de trabalho. O avanço da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada de trabalho gerou reações contrárias no setor produtivo...

Indústria automobilística avança e contorna desaceleração econômica

Expansão do crédito perto de R$ 300 bilhões impulsiona vendas de veículos e leva setor a liderar o desempenho produtivo. Enquanto grande parte das atividades econômicas indica perda de ritmo diante do cenário global adverso e da volatilidade doméstica, o...

Insegurança pública afeta a operação de metade do comércio paulista

Furtos, roubos e custos com proteção privada reduzem o fluxo de clientes e alteram a rotina de contratações no varejo. A violência urbana passou a impactar diretamente a gestão financeira e o planejamento operacional das empresas no estado de São Paulo....

Falta de confiança atinge 25 setores industriais em agosto

Indicador da CNI aponta que apenas quatro segmentos mantêm otimismo em um cenário de pessimismo prolongado no setor produtivo. A percepção do empresariado industrial brasileiro permanece em patamares desfavoráveis pelo vigésimo mês consecutivo....