Com 55% de absenteísmo recente, país registra queda no envolvimento familiar, mas apresenta melhora no clima disciplinar e engajamento ambiental.
O relatório do PISA 2025 acendeu um sinal de alerta sobre a assiduidade dos estudantes e o nível de engajamento familiar na rotina escolar dos jovens brasileiros de 15 anos. O levantamento revelou que 55% dos alunos no Brasil faltaram a pelo menos um dia inteiro de aula nas duas semanas anteriores à aplicação da prova (frente à média de 22% da OCDE). Além disso, 53% relataram ter cabulado ou faltado a pelo menos uma aula no mesmo período (média da OCDE: 24%) e 44% chegaram atrasados à escola. Em 2022, os índices de faltas a dias e aulas inteiras eram significativamente menores, registrando 22% e 19%, respectivamente.
Acompanhando esse movimento, os relatos de suporte e acompanhamento diário por parte dos pais apresentaram uma retração substancial entre 2022 e 2025. A proporção de estudantes brasileiros que declararam que os pais ou responsáveis perguntavam, pelo menos uma vez por semana, o que havia ocorrido na escola caiu de 62% em 2022 para 51% em 2025. A frequência de conversas semanais sobre eventuais problemas escolares também recuou de 55% para 41% no mesmo intervalo de três anos.
Clima de sala de aula e percepção sobre o meio ambiente
Por outro lado, os dados de 2025 apontam uma boa percepção dos estudantes em relação ao apoio oferecido pelos docentes: 82% dos alunos brasileiros afirmam que, na maioria das aulas de ciências, o professor demonstra interesse individual pelo aprendizado de cada um; 78% relatam que o docente mantém a explicação até a plena compreensão da turma e 76% destacam a oferta de ajuda extra quando necessário — índices superiores às médias registradas pelo bloco da OCDE.
No quesito ambiente de classe, o Brasil apresentou avanços no clima disciplinar em relação a 2015, embora ainda enfrente gargalos de concentração: 44% dos alunos relatam que barulho e desordem atrapalham a maioria das aulas de ciências (média da OCDE: 31%); 34% afirmam que os colegas não prestam atenção no professor (OCDE: 29%) e 25% admitem incapacidade de concentração durante as explicações.
O módulo de ciências ambientais revelou uma juventude engajada e motivada para causas sustentáveis, embora apenas 49% dos estudantes tenham atingido a proficiência básica (Nível 2) de conhecimentos científicos sobre a matéria (média da OCDE: 74%). No Brasil, 84% dos jovens acreditam que suas ações individuais podem causar impacto positivo no meio ambiente, 87% defendem a eficácia de ações coletivas e 77% afirmam saber como colaborar em grupo para proteger o planeta. Adicionalmente, 67% dos alunos demonstraram interesse em escolher carreiras profissionais futuras alinhadas à proteção ambiental e 60% declararam conversar com frequência com familiares sobre sustentabilidade.
Destaque – Estudantes em ambiente escolar brasileiro, em ano marcado por avanços no debate ambiental e queda no acompanhamento familiar. Imagem: aloart / G. I. / IA image



