Avaliação com 760 mil estudantes aponta retração nos desempenhos básicos e destaca urgência na valorização docente.
O desempenho dos estudantes de 15 anos nos países membros da OCDE atingiu a menor média já registrada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) em matemática e leitura. Na edição de 2025, divulgada no dia 8 de setembro de 2026, a maior da história do programa — englobando 760 mil alunos em 91 economias —, a proporção de estudantes que não alcançam o nível básico de proficiência nas três áreas avaliadas subiu de 16% em 2022 para 20%.
Embora o desempenho em ciências tenha se mantido estável em relação a 2022, o declínio acumulado em uma década revela perdas expressivas de aprendizagem. Entre 2015 e 2025, a pontuação média em leitura recuou 28 pontos no bloco da OCDE, o equivalente a um ano e meio de escolarização. Em matemática, a queda foi de 22 pontos, correspondendo a pouco mais de um ano letivo perdido.
Fatores de desempenho e o topo do ranking global
A origem socioeconômica permanece como um preditor determinante de rendimento: nos países da OCDE, alunos favorecidos superaram os vulneráveis em 85 pontos em ciências. A redução observada nessa lacuna ocorreu devido à queda de desempenho do grupo mais abastado, e não pela melhora dos alunos desfavorecidos.
“O PISA 2025 mostra que reverter a queda no desempenho dos alunos é uma urgência. Os sistemas educacionais de maior sucesso concentram-se em menos áreas com maior profundidade, investem em professores, engajam os pais e oferecem suporte direcionado para as escolas que mais precisam”, afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. “Tecnologia e inteligência artificial podem fortalecer a aprendizagem, mas apenas quando usadas de forma intencional e não como substitutas para atenção e esforço”, ressaltou o dirigente.
O topo da avaliação continuou dominado por economias asiáticas — com destaque para as jurisdições chinesas (Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang) e Singapura —, além de Estônia, Japão, Coreia do Sul, Taipé Chinesa e Reino Unido. Entre os países que conseguiram elevar suas notas em ciências na última década destacam-se Turquia, República Eslovaca, Lituânia, Catar e Uruguai.
Destaque – Imagem: aloart / G. I. / IA image



