PISA 2025 alerta para a perda de 20 pontos com terceirização de tarefas e a vulnerabilidade dos estudantes à desinformação.
A edição de 2025 do PISA acendeu um alerta global sobre o impacto do ambiente digital e das novas tecnologias no aprendizado dos jovens de 15 anos. O estudo revelou uma retração acentuada em habilidades essenciais de leitura, como a capacidade de cruzar fontes e pensar criticamente. No mesmo período, a chamada “leitura apressada” — quando o aluno lê de forma rápida, porém imprecisa — quase dobrou, saltando de 5% para 9% entre 2018 e 2025.
A análise sobre a inteligência artificial mostrou que o impacto no rendimento depende diretamente da forma de uso. Alunos que recorrem à IA para terceirizar tarefas escolares diretas, como resumir textos e redigir trabalhos, obtiveram pontuações em ciências 20 pontos inferiores em comparação aos que não utilizam a tecnologia — uma defasagem equivalente a cerca de um ano letivo. Em contrapartida, estudantes que utilizam a IA com orientação pedagógica para checagem e aprendizado apresentaram rendimento ligeiramente superior.
Vulnerabilidade à desinformação e habilidades digitais
O relatório apontou ainda que mais da metade dos estudantes pode estar vulnerável à desinformação. Apenas 46% dos alunos nos países da OCDE declararam checar a credibilidade das fontes e priorizar evidências científicas em relação ao senso comum. Outros 37% afirmaram verificar fontes, mas ainda confiar no senso comum, enquanto o restante não adota métodos de verificação ou descarta evidências científicas.
Na nova avaliação de resolução de problemas computacionais, cerca de dois terços dos estudantes da OCDE atingiram o Nível 3 de proficiência, liderados por Macau, Singapura e pelas províncias chinesas. Por outro lado, o estudo registrou uma evolução positiva no ambiente escolar: 76% dos alunos disseram sentir-se acolhidos em suas escolas, índice que chega a 90% no Japão e na Espanha, reforçando que o bem-estar e o sentimento de pertencimento são pré-requisitos para a recuperação do desempenho acadêmico.
Níveis de Proficiência do PISA
• Níveis Baixos (abaixo do Nível 2)
:: Estudantes que demonstram dificuldades em aplicar competências básicas ou que conseguem resolver apenas tarefas muito diretas e simples.
• Nível 2 (patamar Básico)
:: Considerado pela OCDE como o nível mínimo de proficiência essencial para que o jovem participe plenamente e de forma significativa da sociedade moderna.
• Níveis Intermediários (Níveis 3 e 4)
:: Alunos que conseguem lidar com tarefas de complexidade média, interpretar situações sem instruções diretas e estruturar soluções para problemas cotidianos.
• Níveis de Alto Desempenho (Níveis 5 e 6)
O topo da escala. Estudantes nesses níveis conseguem modelar situações complexas, avaliar criticamente informações e desenvolver estratégias avançadas para resolução de problemas.
Destaque – Imagem: aloart / G. I. / IA image



