Plano estadual detalha prevenção de doenças após enchentes com atenção especial a crianças, idosos e áreas de risco.
Com a previsão de chuvas acima da média em setembro em regiões como a Grande São Paulo, Litoral, Vales do Paraíba e Ribeira, além de Campinas e Sorocaba, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) emitiu alertas de prevenção a doenças e acidentes em temporais e alagamentos.
A água e a lama das enchentes podem estar contaminadas por esgoto e urina de animais, aumentando o risco de doenças diarreicas, leptospirose, hepatite A e tétano. Crianças e idosos exigem atenção redobrada devido ao risco de desidratação rápida.
“Crianças e idosos merecem atenção especial em situações de enchentes e alagamentos. Esses grupos podem apresentar maior risco de complicações e se desidratar mais rapidamente diante de quadros de diarreia e outras infecções. Por isso, os cuidados com a água, os alimentos e a limpeza dos ambientes são fundamentais”, explica Regiane de Paula, coordenadora de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Sintomas e cuidados com contaminação e animais peçonhentos
A leptospirose é transmitida pela urina de ratos na água ou lama. Os sintomas surgem em até 30 dias e incluem febre, dor de cabeça, falta de apetite e dor muscular nas panturrilhas. Quem apresentar esses sinais deve procurar atendimento médico imediato e relatar o contato com a enchente.
Com a subida das águas, escorpiões, aranhas e cobras podem buscar abrigo seco, inclusive dentro das residências. A orientação é usar botas e luvas na limpeza e checar roupas, calçados e entulhos. O Estado conta com 242 pontos de atendimento para acidentes com animais peçonhentos.
Além disso, o acúmulo de água parada favorece o mosquito Aedes aegypti, tornando necessária a eliminação diária de recipientes em quintais e calhas para conter a dengue, zika e chikungunya.
Recomendações práticas para a população após alagamentos
Para garantir a segurança sanitária e cuidados após enchentes, a Vigilância em Saúde recomenda a adoção de medidas diretas de higiene e desinfecção:
○ Evite o contato com água ou lama de enchentes e não permita que crianças brinquem ou nadem nesses locais.
○ Caso o contato seja inevitável, utilize botas e luvas de borracha. Na falta desses itens, proteja mãos e pés com sacos plásticos duplos bem amarrados.
○ Cubra cortes e arranhões com curativos impermeáveis antes de iniciar a limpeza.
○ Depois que a água baixar, retire a lama usando proteção, lave pisos e paredes e faça a desinfecção. Para isso, misture 400 ml de água sanitária, com concentração entre 2% e 2,5%, em 20 litros de água limpa e deixe a solução agir por 15 minutos.
○ Não consuma alimentos que tiveram contato com a água ou a lama. Descarte embalagens abertas, molhadas, danificadas ou que não sejam totalmente vedadas.
○ Consuma somente água potável. Se houver dúvida sobre sua qualidade, filtre ou coe a água, adicione duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro e aguarde 30 minutos. A água tratada deve ser consumida em até 24 horas.
○ Na falta do hipoclorito, filtre ou coe a água e ferva por cinco minutos, contados a partir do início da fervura.
○ Se a água da torneira apresentar alteração de cor, cheiro ou sabor, não a consuma e comunique o serviço municipal de saúde ou a empresa responsável pelo abastecimento.
○ Lave as mãos com frequência, principalmente antes de preparar alimentos, comer ou cuidar de crianças e idosos.
○ Elimine recipientes com água parada para evitar a reprodução do mosquito da dengue.
○ Ao apresentar febre, diarreia, vômitos, dor de cabeça ou dores musculares depois do contato com enchentes, procure atendimento e informe ao profissional de saúde sobre a exposição.
A Secretaria de Estado da Saúde elaborou o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño. Clique neste link para baixar.
Destaque – Orientações de saúde ajudam população a evitar infecções e acidentes durante período de enchentes em SP. Imagem: aloart / G. I.



