Alunos dos 25% mais ricos superam os mais vulneráveis em 96 pontos, mas 10% dos estudantes de baixa renda demonstram resiliência acadêmica de alto nível.
A posição socioeconômica dos estudantes permanece como um dos fatores de maior impacto sobre os resultados de aprendizagem no Brasil. Segundo os dados do PISA 2025, o Índice de Status Econômico, Social e Cultural explicou 16% de toda a variação observada no desempenho em ciências no país — um peso significativamente superior à média dos países membros da OCDE, onde a condição social responde por 12% da variação das notas.
A distribuição dos alunos brasileiros na escala socioeconômica global evidencia a vulnerabilidade do perfil nacional: 35% dos estudantes participantes do PISA no Brasil enquadram-se no quartil inferior internacional, figurando entre os jovens mais desfavorecidos do planeta. A pontuação média desse grupo em ciências fixou-se em 380 pontos, valor inferior ao registrado por estudantes da China e da Turquia localizados na mesma faixa socioeconômica.
Ao analisar a divisão interna entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais pobres do próprio país, a diferença de pontuação em ciências chegou a 96 pontos no Brasil — margem que supera o hiato médio de 85 pontos verificado entre os países da OCDE. Entre 2015 e 2025, essa lacuna socioeconômica expandiu-se no território nacional, puxada pela elevação do desempenho dos estudantes de alta renda, enquanto a média do grupo vulnerável permaneceu estagnada.
Resiliência acadêmica e atitudes perante a aprendizagem
Em meio ao cenário de desigualdade, 10% dos estudantes brasileiros situados na faixa de baixa renda conseguiram alcançar resultados classificados entre os 25% melhores desempenhos em ciências do próprio país. Esses jovens são categorizados pela OCDE como “academicamente resilientes”, por superarem as barreiras socioeconômicas e atingirem patamares de excelência pedagógica em comparação aos seus pares nacionais (a média de resiliência na OCDE é de 12%).
O estudo também avaliou aspectos emocionais e atitudinais em relação ao ambiente escolar. No Brasil, 72% dos alunos afirmam ter curiosidade por assuntos diversos (média da OCDE: 73%) e 59% relatam empenho acrescido diante de tarefas desafiadoras (média da OCDE: 60%). Paralelamente, a parcela de estudantes brasileiros que consideram a escola “uma perda de tempo” caiu 6,9 pontos percentuais entre 2022 e 2025, fixando-se em 16% (contra 24% na OCDE). A discordância dessa afirmação associa-se a um ganho médio de 35 pontos em ciências nas provas nacionais.
Apesar da postura positiva diante da curiosidade, apenas 52% dos estudantes no Brasil apresentam a chamada “mentalidade de crescimento” — a crença de que a inteligência pode ser desenvolvida por meio do esforço, trabalho e orientação —, ante 69% no bloco da OCDE. O relatório aponta ainda margem para ampliação da autonomia escolar: 39% dos alunos no Brasil costumam planejar com frequência sua rotina de estudos e 49% questionam-se sobre o conteúdo para checar a retenção do aprendizado. Na busca por suporte, 81% afirmaram recorrer aos professores e 82% pedem apoio aos colegas de turma quando encontram dificuldades na matéria.
Destaque – Nível socioeconômico responde por 16% da variação no rendimento escolar. Imagem: aloart / G. I. / IA image



