Crescimento da cosmética coreana no país sinaliza para a necessidade de adaptar rotinas e produtos ao clima tropical.
O mercado de skincare coreano consolidou sua presença no Brasil e passou de tendência de nicho a fenômeno de consumo. Dados da consultoria Circana mostram que a participação dos produtos do país asiático no mercado brasileiro de cuidados com a pele saltou de 0,5% em 2023 para mais de 7% no acumulado até maio de 2026. No mesmo período, o número de marcas ativas no setor subiu de 28 para mais de 40.
O interesse do público também se reflete nos dados do Google Trends, que registraram alta de 70% nas buscas pelo termo “k-beauty” em 2025 frente ao ano anterior. Termos específicos apresentaram forte expansão, como “peeling coreano”, com alta de 1.150%, e “máscara de colágeno coreana”, que subiu 300%.
Apesar do sucesso comercial e do engajamento nas redes sociais, especialistas alertam para a falta de orientação adequada. A rotina tradicional sul-coreana foi projetada para um clima continental — mais frio e seco —, atendendo a uma população com menor predisposição à oleosidade. Em contrapartida, o clima tropical predominante no Brasil exige abordagens distintas devido às altas temperaturas e à umidade.
“A pele coreana e a brasileira não pedem os mesmos cuidados. Produtos pensados para hidratação intensiva em múltiplas camadas, ideais para um clima seco, podem sobrecarregar peles brasileiras, que já tendem à oleosidade e à predisposição a acne, especialmente em climas mais quentes e úmidos”, explica a Dra. Letícia Aguiar.
Riscos de ativos concentrados e sem orientação
O uso de ingredientes populares na estética avançada, como o PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) e os exossomos, também exige cautela. Antes restritos a procedimentos injetáveis em clínicas, esses ativos passaram a compor formulações cosméticas de prateleira, embora demandem indicação precisa.
“Alguns desses ingredientes têm respaldo científico interessante, mas isso não significa que servem para todo mundo, na mesma concentração e da mesma forma. O consumidor está aderindo à tendência baseado em vídeo de rede social, sem entender que cada pele responde de um jeito diferente”, complementa Aguiar.
Para manter os benefícios da filosofia coreana sem comprometer a saúde da pele, a recomendação é priorizar texturas leves, formulações livres de óleo (oil-free) e protetores solares de amplo espectro adaptados à alta radiação UV no Brasil.
“O ideal é usar a K-beauty como inspiração, e não como manual fechado. Antes de incorporar um produto novo, principalmente os mais concentrados ou voltados a procedimentos específicos, vale a pena passar por uma avaliação com dermatologista para entender o que realmente faz sentido para aquele tipo de pele”, conclui a médica.
Destaque – A pele brasileira e a coreana não requerem os mesmos cuidados, alerta a especialista. Imagem: aloart / G. I.



