Consulta Pública nº 100/2026 propõe mudanças no protocolo de tratamento da doença, incluindo a incorporação da cirurgia minimamente invasiva; contribuições podem ser enviadas até 19 de outubro.
Uma consulta pública aberta pelo Ministério da Saúde propõe a atualização do protocolo de tratamento do câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a incorporação da cirurgia torácica assistida por vídeo. A técnica minimamente invasiva pode reduzir a dor no pós-operatório, o tempo de internação e acelerar a recuperação de pacientes elegíveis.
A Consulta Pública nº 100/2026 está disponível na plataforma Brasil Participativo até 19 de outubro. Pacientes, familiares, profissionais de saúde e demais interessados podem enviar opiniões, experiências e informações que serão consideradas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável pela avaliação da proposta.
Câncer de pulmão é a principal causa de morte oncológica
O câncer de pulmão está entre os maiores desafios da saúde pública no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar cerca de 35.380 novos casos anuais no triênio 2026–2028, sendo aproximadamente 18.730 em homens e 16.650 em mulheres.
A doença pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta sua identificação. O tabagismo é o principal fator de risco, associado a cerca de 85% dos casos, mas fatores genéticos e a exposição à poluição também merecem atenção. Entre os sinais de alerta estão tosse persistente, falta de ar, dor no peito, perda de peso sem causa aparente, cansaço extremo e tosse com sangue.
O diagnóstico precoce é importante para o tratamento. Quando o tumor é identificado ainda pequeno, as chances de cura podem superar 70%, conforme os dados apresentados no material da consulta.
Cirurgia por vídeo pode reduzir o impacto da operação
Para determinados pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, em estágios iniciais e com tumor operável, a cirurgia pode ter intenção curativa. A técnica conhecida como cirurgia torácica assistida por vídeo (VATS, na sigla em inglês) permite realizar o procedimento por pequenas incisões, geralmente de 1 a 3 centímetros, com o auxílio de uma câmera de alta definição e instrumentos cirúrgicos.
Diferentemente da cirurgia aberta tradicional, que exige uma incisão maior no tórax e o afastamento das costelas, a VATS é considerada minimamente invasiva. Entre os benefícios apontados estão menor sangramento, menos dor no pós-operatório, preservação da função pulmonar e redução do período de internação. A recuperação mais rápida também pode facilitar o retorno às atividades e o início de outras terapias, quando necessárias.
“A tecnologia transformou a cirurgia torácica. Para o paciente elegível, a cirurgia assistida por vídeo preenche uma lacuna fundamental, pois oferece benefícios diretos incomparáveis à cirurgia aberta. Observamos um pós-operatório com muito menos dor, menor sangramento, preservação da função pulmonar e um tempo de internação significativamente menor”, afirma o cirurgião torácico Ricardo Terra, livre-docente pela USP e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT).
O especialista acrescenta que a recuperação acelerada pode permitir que o paciente retorne mais cedo à rotina e, quando necessário, inicie outras terapias oncológicas sem atrasos.
Como participar da consulta pública
A Consulta Pública nº 100/2026 recebe contribuições até 19 de outubro, pela plataforma Brasil Participativo. Os interessados podem consultar o relatório técnico e a recomendação preliminar da Conitec antes de enviar suas manifestações.
A participação pode incluir opiniões, sugestões, experiências de pacientes e familiares ou informações técnicas relacionadas à proposta. As contribuições serão consideradas no processo de avaliação da tecnologia para o SUS.
Destaque – Cirurgia torácica assistida por vídeo pode reduzir a dor e o tempo de internação de pacientes com câncer de pulmão. Imagem: Medtronic



