Excesso de ruído em grandes centros urbanos como São Paulo afeta do sono à pressão arterial; OMS aponta problema como a segunda maior causa de poluição mundial.


Viver em uma grande metrópole muitas vezes significa conviver com um barulho constante. O que muitos ignoram, porém, é que esse ruído não é apenas um inconveniente urbano, mas um grave risco à saúde pública. Segundo a fonoaudióloga Mariene Terumi Umeoka Hidaka, do Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região (CREFONO2), a exposição contínua ao som alto pode desencadear alterações que vão muito além do sistema auditivo.

Impactos reais e invisíveis

Embora a perda auditiva e o zumbido sejam os sintomas mais conhecidos, o barulho ambiental constante atua como um agente estressor no corpo humano. Entre os prejuízos citados pela especialista, destacam-se distúrbios do sono, aumento da pressão arterial e estresse crônico.

“Apesar de muitas vezes negligenciada por não ser visível, a poluição sonora causa impactos reais e mensuráveis na saúde da população. Portanto, é fundamental ampliar a conscientização sobre os prejuízos do ruído ambiental”, alerta a especialista.

São Paulo entre as cidades mais barulhentas do mundo

O cenário é preocupante, especialmente para quem vive na capital paulista. Durante o “I Encontro Brasileiro pela Despoluição Sonora”, São Paulo foi apontada como a sétima metrópole mais barulhenta do mundo.

Esse caos sonoro é alimentado por fatores típicos do dia a dia urbano:
• Tráfego intenso de veículos;
• Máquinas industriais e obras da construção civil;
• Eventos com música amplificada e grandes aglomerações.

O desafio das políticas públicas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece a poluição sonora como a segunda maior causa de poluição no mundo. No entanto, enquanto países como Japão, Alemanha e Estados Unidos possuem políticas estruturadas de controle, no Brasil o tema ainda carece de atenção nas agendas públicas federais.

Apesar disso, em São Paulo, movimentos da sociedade civil e órgãos públicos têm buscado soluções. Exemplo disso foi a realização da 4ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora, focada nas metas para 2026.

Um passo para cidades mais sustentáveis

Para a fonoaudióloga do CREFONO2, é urgente que o tema avance. Ela defende que a redução do ruído não é apenas uma questão de conforto, mas de proteção coletiva:

“É preciso que gestores municipais, estaduais e federais desenvolvam estratégias específicas para mitigar a poluição sonora nas cidades, especialmente nos grandes centros urbanos. Reduzir o ruído é uma medida de proteção coletiva à saúde e um passo essencial para cidades mais sustentáveis.”


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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