Iniciativa celebrou seu primeiro ano de atuação com um encontro estratégico no MASP, em São Paulo, nesta segunda-feira (4). Reunindo mais de 200 empresas e entidades signatárias, a iniciativa — liderada por Childhood Brasil, Instituto Liberta, Grupo Mulheres do Brasil e Vibra Energia — marca uma nova fase: a transição da conscientização para a mobilização prática. Com potencial para alcançar 2 milhões de colaboradores, o grupo foca agora na formação de agentes de proteção e ações preventivas em todo o território nacional.


Esta semana começou com o senador Flávio Bolsonaro, revoltando-se e cobrando atitude do Congresso quanto à maioridade penal. O parlamentar comentou sobre um caso que ocorreu em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo no dia 21 de abril. Trata-se de um crime de violência contra duas crianças de 7 e 10 anos, praticado por quatro adolescentes e um homem de 21 anos. O senador defende a redução da maioridade penal para 16 anos em geral, e para 14 anos em casos de crimes hediondos, como estupro.

Movimento prioriza ações concretas

Por sua vez, com um olhar voltado para esse tipo de crime, o Movimento Violência Sexual Zero realizou, no dia 4 de maio, no MASP, em São Paulo, um encontro que reuniu empresas, entidades e sociedade civil e marcou um ano da iniciativa de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. O evento apresentou os principais avanços do primeiro ano, além dos próximos passos do Movimento, que passa a priorizar ações concretas de prevenção, identificação, encaminhamento de casos e a formação de agentes de proteção.

Criado pela Childhood Brasil, Instituto Liberta, Grupo Mulheres do Brasil e Vibra Energia, o movimento reúne atualmente mais de 200 empresas e entidades signatárias, com potencial de mobilizar cerca de 2 milhões de colaboradores. Essa iniciativa demonstra que o mundo empresarial também pode se engajar para auxiliar questões como estas.

Setor privado avança em seu papel social

“A união de tantas empresas e entidades em torno do enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes demonstra uma tomada muito importante de consciência sobre a questão. Afinal, não se trata de um problema que atinge só as vítimas, mas a sociedade como um todo. Sem essa consciência nunca poderemos mudar essa triste realidade”, disse Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta.

“Chegamos a um ano com um aprendizado importante: não basta gerar conscientização, é preciso mobilizar. Temos uma rede com capilaridade nacional e queremos transformá-la em uma rede de proteção ativa, capaz de agir na prevenção e no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes”, afirmou Ernesto Pousada, CEO da Vibra.

Para Lais Peretto, diretora executiva da Childhood Brasil, o alcance do Movimento em apenas um ano prova que o setor privado tem avançado na compreensão do seu papel social.

“Ver essa rede evoluir da conscientização para a formação prática de agentes de proteção é um passo decisivo. O movimento marca uma transição essencial, ao entrar em uma fase de maturação voltada à construção de um legado real, fortalecendo a prevenção diretamente nos territórios e promovendo mudanças na cultura de proteção de crianças e adolescentes no Brasil”, disse.

“A mobilização coletiva é o que transforma. Quando sociedade civil, empresas e instituições atuam juntas, saímos do discurso e avançamos para a proteção real de crianças e adolescentes no Brasil”, reforçou Alexandra Segantin, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.

Encontro no MASP

A programação incluiu painéis com especialistas e profissionais que atuam diretamente na ponta, além de momentos de sensibilização do público. O encontro foi encerrado com uma apresentação da Orquestra Sinfônica Heliópolis, primeira orquestra sinfônica do mundo a ser formada em uma favela.

Empresas interessadas podem aderir ao Movimento Violência Sexual Zero por meio do site oficial da iniciativa (www.violenciasexualzero.com.br), comprometendo-se com ações de conscientização, capacitação e mobilização de seus públicos. O Movimento também reforça a importância do uso dos canais oficiais de denúncia, como o Disque 100, para o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes.

‘Loja de Inconveniência Itinerante’

A Vibra iniciou a expansão das ações no seu ecossistema com a Loja de Inconveniência Itinerante, que passa a integrar a Casa Siga Bem, que circula pelo Brasil nos seus postos rodoviários ampliando uma rede de proteção, além de capacitações como a Trilha de Proteção, que teve início em abril e será realizada em todo o Brasil ao longo do ano.

Criada para chamar atenção para dados alarmantes sobre a violência sexual de crianças e adolescentes, a Loja de Inconveniência apresenta, em vez de produtos tradicionais, embalagens com estatísticas e mensagens de alerta em uma experiência imersiva e educativa.

A partir desta nova etapa, a Loja de Inconveniência passa a integrar a Casa Siga Bem, iniciativa itinerante que percorre o país levando atendimentos gratuitos de saúde e bem-estar, serviços e capacitações em parceria com instituições como SEST/SENAT, PRF e autoridades locais. Realizada em postos rodoviários, a ação transforma esses espaços em pontos de acolhimento, orientação e relacionamento com o público das estradas.

Com a nova configuração, a carreta da Vibra incorpora a Loja de Inconveniência como parte da experiência, permitindo que visitantes conheçam dados sobre o tema, aprendam a identificar situações de risco e recebam orientações sobre como denunciar.

A proposta é fortalecer a atuação preventiva nas rodovias e ampliar a rede de agentes de proteção formada por caminhoneiros, trabalhadores dos postos e comunidades locais.


Destaque – Evento realizado no MASP no dia 4 de maio. Crédito: Camila Picolo


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