Os responsáveis não esclarecem sobre as reclamações de que vigia atua na ilegalidade com placas que sugerem parceria com a polícia, enquanto crimes continuam ocorrendo.


Atualizado em 7/5/2026 — Em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), como mencionado na reportagem inicialmente, foi solicitado um adiamento do deadline do dia 4 para o dia 6 de maio. Sem resposta, entramos  contato novamente com o órgão nesta quinta-feira (7), que pediu novo adiamento para apurar os fatos.


Atualizado em 4/5/2026 — Leia a resposta da CET no final da reportagem.


Leia a reportagem

A sensação de insegurança que assola a Chácara Santo Antônio e a Vila Gomes Cardim, na Zona Leste de São Paulo, subdistritos do Tatuapé, ganhou um novo capítulo nesta madrugada de sexta-feira, 1º de maio. Enquanto o feriado do Dia do Trabalhador começava, residentes relataram um verdadeiro “show de sirenes” promovido por um vigia particular, cuja atuação levanta suspeitas sobre a eficácia do serviço e a suposta legalidade de sua parceria com as autoridades locais.

“(…) É que ele passa sempre… À noite ele passa, e às vezes acontecem coisas quando ele não está,” desabafa uma moradora que, por medo, prefere não se identificar. Leia as entrevistas.

 

Imagem: aloart

 

Ilegalidade durante o período noturno

A atuação do vigilante, cujo nome estampa diversas fachadas do bairro, fere diretamente o Artigo 42 da Lei de Contravenções Penais. O uso de sirenes para marcar presença é proibido, mas continua sendo a principal ferramenta de marketing desse serviço, que cobra dos moradores para “garantir a ordem”.

Mais grave que o barulho é a indução ao erro: as placas instaladas nas residências aludem a uma parceria com o 30º Distrito Policial (Tatuapé). Imagens obtidas por nossa reportagem confirmam o uso do nome que sugere uma chancela oficial que, legalmente, não existe.

 

Reunião do Conselho de Segurança do Tatuapé 30º DP, dia 20 de outubro de 2025: Nessa data, levamos ao conhecimento das autoridades os fatos que vêm ocorrendo sobre segurança e vigias noturnos. Mais de 6 meses depois, nenhuma resposta oficial. Governo teve que enviar reforços ao bairro em fevereiro deste ano, após constatar aumento de 35% nos furtos. Foto: aloimage

 

Prevaricação e a sensação de impunidade

O atual delegado titular do 30º DP, Dr. Marcos Gali Kasseb, tem pleno conhecimento das atividades. No entanto, moradores questionam a falta de providências. Juridicamente, a omissão da autoridade pode ser configurada como negligência administrativa ou, se comprovado interesse pessoal, crime de prevaricação (Artigo 319 do Código Penal).

Assista aos vídeos na página principal

A falta de fiscalização não se limita à polícia. Representantes da CET (Companhia de Engenharia de Trânsito) foram alertados durante reuniões do Conseg Tatuapé sobre o fato de esses vigias trafegarem sistematicamente na contramão, além do que, o uso de sirenes também é proibido no âmbito legal do trânsito. Mesmo com vídeos comprovando as infrações — que podem custar até 7 pontos na CNH e multa de R$ 293,27 —, nenhuma autuação foi registrada.

O enigma dos furtos de fios

 

Vigia noturno “dono da área” ou um de seus contratados esperando para receber de um morador da Rua Antônio João Fiore: moradores pagam impostos caríssimos e ainda precisam pagar pedágio ao vigia para se sentirem seguros. Na madrugada anterior a esta imagem, a menos de 25 metros dessa residência, os fios da rua foram furtados. Foto: arquivo pessoal de morador.

 

A reportagem flagrou uma situação emblemática na Rua Antônio João Fiore: fios de comunicação cortados e pendurados a menos de 20 metros de uma residência onde o vigia acabara de receber por seus serviços.

Ocorrências frequentes, além da Antônio João Fiore, as ruas Emílio Mallet e Henrique Dumont, dentre outras vias dos locais por onde o vigia atua, sofrem com cortes sistemáticos de cabos.

Risco na rede elétrica e telecomunicações: fio cortado foi deixado pendurado na Rua Antônio João Fiore, na Vila Gomes Cardim. Para evitar acidentes, moradores o amarraram ao poste. Foto: aloimage

 

Em conversa com nossa equipe, um funcionário da Enel confirmou que, embora os cabos fossem de telecomunicações, a desordem na fiação coloca em risco toda a rede da área.

A coincidência entre a passagem do vigia e a ocorrência de “fatos bizarros” — que incluem desde furtos de fios até o relato de um sequestro de idosos com tortura para que liberassem valores, já ocorreram, como na Rua Professor Pedreira de Freitas — alimenta a teoria da dependência psicológica: o medo é utilizado como ferramenta de venda, a sirene como ferramenta de marketing.

Expansão do problema em São Paulo

O cenário descrito no Tatuapé não é isolado. Relatos semelhantes povoam bairros vizinhos como, o Alto da Mooca, Água Rasa, Carrão, Aclimação e vários outros na capital. A população exige providências.

Leia os depoimentos de quem teve coragem para se manifestar, pois muitos moradores sofrem por temerem represálias.

É importante frisar que uma mínima parte da população — que representa um bom lucro para os envolvidos — fomenta essa atividade, inclusive com risco jurídico, seja por medo ou coação. “A gente paga para não arrumar confusão”, relata outro morador da Rua Professor Pedreira de Freitas.

 

Placa com o nome do vigia, que foi o principal envolvido em inquérito (Artigo 42 – Contravenção Penal), comprova sua atuação na região e não apenas seu contratado, que, por motivo desconhecido, assumiu sozinho a autoria das infrações das quais ambos eram acusados. Leia o material. Foto: aloimage

Procuramos o 30º DP para esclarecimentos sobre as denúncias de omissão diversas vezes. Até o fechamento desta edição, não houve registro de ações efetivas, pelo contrário, a cada dia o barulho fica pior. Também aguardamos retorno oficial da CET e da Secretaria de Segurança Pública (SSP), com os quais estamos em contato.

 

Placas fixadas em diversas fachadas na região da Chácara Santo Antônio, no Tatuapé, entre as ruas Novas Jerusalém e Antonio de Barros. Fotos: aloimage

 

Embora o Governo e a Prefeitura de São Paulo reforcem constantemente os esforços no combate à criminalidade, casos como este entram para o rol das “coisas estranhas” que desafiam a lei e o bolso do cidadão paulistano.


Resposta da Companhia de Engenharia de Tráfego em 04 de maio de 2026

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informa que não regulamenta a atividade de vigias noturnos, cuja atuação não integra os serviços oficiais de segurança pública ou de trânsito. No que se refere ao uso de dispositivos sonoros e à circulação viária, a CET esclarece que a fiscalização é realizada com base no Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece regras para todos os condutores. O uso de sirenes é permitido apenas para veículos oficialmente autorizados e em serviço de urgência, conforme previsto na legislação. Situações específicas presenciada por munícipes, como circular na contramão, podem ser denunciadas no SP156.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.

 


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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