Tolerados por autoridades paulistas que não coíbem a prática proibida, nas delegacias ainda fazem pouco caso das reclamações de moradores. Ações para diminuir a poluição sonora estão em progresso no mundo, diferente da tolerância em São Paulo. Vídeo enviado pela nossa equipe chega a cinco países, mostrando o que poderão encontrar em capitais do país.


Moradores do Canadá, Austrália, Portugal, Estados Unidos e Reino Unido receberam o vídeo abaixo e opinaram se achavam normal que, enquanto estão dormindo, alguém fique acionando uma sirene com pressão sonora de 120 decibéis na porta de suas casas para supostamente haver algum tipo de vigilância ou ser um informante da polícia.

Todos foram unânimes em afirmar que isso seria impossível de acontecer, confiam nas autoridades que estariam monitorando e não em uma pessoa isolada.

Perguntamos se contratariam alguém para vigiar a rua onde moram, acionando sirenes durante o horário de sono dos vizinhos ou para sair e entrar de suas casas. As respostas foram unanimemente as mesmas: não fariam isso. Alguns entrevistados se propuseram a dizer que, se alguém quisesse contratar um vigia para sua casa, não haveria problema. Mas informariam a polícia se alguém fizesse esse barulho (referindo-se ao vídeo enviado). Com bom humor, outros disseram que chamariam a polícia, imaginando que algo grave estivesse acontecendo!

Ao contrário dessas afirmações, em São Paulo e outras capitais brasileiras, em bairros de classe média acima, isso é admitido e pessoas pagam para serem acordadas de hora em hora durante a noite e madrugada. Apesar de a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) fornecer credenciais a esses infratores, obviamente não os autoriza a usar uma sirene e o giroflex, mas ambos são usados, apesar de serem restritos a veículos oficiais.

Porém, não criou os dispositivos legais para proibir o uso das sirenes e muito menos a SSP-SP se dispõe a investigar esse uso proibido, ficando a cargo dos delegados titulares dos bairros onde atuam os tais guardas de rua. As consequências? Um inferno na vida da população sensível a essa aberração noturna, aqueles que não dormem e perdem os empregos por chegarem cansados ou atrasados, pessoas convalescentes em desespero, bebês que se assustam, idosos que já não sabem o que fazer (leia aqui os depoimentos).

Ações mundiais contra a poluição sonora

Ações estão acontecendo em todo o mundo para conscientizar as populações sobre a poluição sonora e os males que causa. As pessoas estão perdendo a audição cada vez mais cedo, apontam as pesquisas.

Organizações como o INAD que promove o Internacional Noise Awareness Day com parceiros em todo o mundo, ou a Organização Mundial da Saúde trazem alertas sobre esse problema.

As sirenes, permitidas apenas para órgãos e representantes oficiais, passaram a ser usadas por vigias noturnos para chamar a atenção dos seus clientes e, por consequência, atingem diversos polos. Isso é inimaginável em países que protegem seus cidadãos, com os quais conversamos.

Convidamos os leitores para assistir ao vídeo e deixar sua opinião pelo WhatsApp (clique no ícone à direita da página). Você acha normal que guardas de rua motorizados ajam dessa maneira enquanto as pessoas estão tentando dormir? Inclua pessoas idosas, convalescentes, bebês, pessoas portadoras de deficiência (como TEA, conhecido como autismo) e aqueles que, depois de noites em claro, precisam ir trabalhar por volta das 5h, 6h da manhã. Deixe sua opinião, não é preciso se identificar.

Leia as matérias que têm como objetivo conscientizar as pessoas.

Leia os depoimentos de quem sofre e vive a mercê desses infratores.

Fazer vigilância é um trabalho honesto e louvável; tocar sirene para fazer marketing e mostrar aos contratantes que está passando pelas casas deles é tortura contra os demais e contravenção penal.


Destaque : vigia noturno acionando sirene em moto com giroflex, trafegando na contramão: impunidade sem limites. Foto: aloimage.

Vídeo mostra o nível de som emitido pelo vigia, com os agravantes de usar giroflex e trafegar na contramão – fato constatado em outras vias do bairro. Essa suposta vigilância assusta as pessoas e mantém o medo constante, causando todo tipo de distúrbios do sono e psicológicos, além de males à saúde irreparáveis, como o zumbido nos ouvidos, que começa lentamente e é incurável. Vídeo: aloimage


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