Furtada na madrugada de domingo (5), a fiação pública na Vila Gomes Cardim já havia sido reparada pela Enel na manhã desta segunda-feira (6), mas o medo e os relatos de invasões persistem na região
Uma ocorrência lidera a outra, desenhando um cenário de vulnerabilidade que os números oficiais muitas vezes não conseguem mensurar. A reportagem retornou ao local onde a fiação pública foi furtada na madrugada de domingo (5), ao longo da Rua Henrique Dumont, no subdistrito da Vila Gomes Cardim, na região do Tatuapé — área circunscrita ao 30º Distrito Policial da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Ao visitarmos a residência do morador que, no dia anterior, expressava forte preocupação sobre como solucionar o problema dos cabos caídos que bloqueavam a entrada de sua garagem, constatamos que o reparo já havia sido efetuado pela Enel SP na manhã desta segunda-feira (6). No entanto, se a infraestrutura elétrica foi restabelecida com rapidez, a sensação de segurança dos moradores locais continua rompida.
Em conversas com os residentes das imediações, este veículo colheu novos depoimentos que expõem uma realidade alarmante: a insegurança na região é crônica e vem acompanhada de forte indignação contra a atuação de serviços de vigilância noturna informal que se declaram “responsáveis” pelo patrulhamento da área. Moradores questionam a falta de investigações profundas sobre os métodos dessas rondas particulares, cujas cobranças e abusos sonoros se perpetuam há anos.
Os fatos: a onda de invasões na Rua Henrique Dumont
Os relatos colhidos revelam que, longe de ser um caso isolado de furto de fios, o perímetro tem sido alvo de uma sequência de crimes patrimoniais nos últimos meses, ocorridos justamente durante o período noturno e na área de cobertura das supostas rondas informais. O alerta vem sendo reportado sistematicamente por este veículo, mas segue sem respostas efetivas por parte do Distrito Policial e do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg).
Entre os episódios narrados pela vizinhança, destacam-se:
○ Invasão a domicílio: Nas proximidades da Praça José Luiz, pelo menos uma residência foi invadida recentemente. Os criminosos aproveitaram a ausência do proprietário, que havia realizado uma viagem curta ao litoral paulista.
○ Obras como alvo: Um imóvel em construção, também na Rua Henrique Dumont, foi invadido duas vezes. A última ocorrência foi registrada há pouco mais de um mês, ocasião em que criminosos furtaram ferramentas, fiação interna e pertences dos trabalhadores civis.
○ Imóveis vulneráveis: Próximo a uma empresa de materiais de construção, uma propriedade que exibia placas de “aluga-se” foi invadida. Vizinhos flagraram a ação e chegaram a filmar a movimentação dos suspeitos.
Comunidade cobra policiamento do Estado
A reiteração desses crimes assusta a comunidade, que se vê cercada tanto pelo vandalismo contra o patrimônio público — o que tem levado a própria concessionária Enel SP a denunciar os furtos de cabos de energia — quanto pelo risco iminente às suas residências.
Moradores apontam que, sem investigações minuciosas por parte da Polícia Civil e sem o reforço de rondas ostensivas preventivas da Polícia Militar durante a madrugada, bairros como a Vila Gomes Cardim, a Chácara Santo Antônio e as imediações do metrô Carrão continuam à mercê de serviços clandestinos de vigilância que cobram taxas sem oferecer proteção real.
A comunidade local permanece no aguardo de providências estruturais. Este espaço editorial e jornalístico segue aberto para as manifestações da Enel SP, do 30º DP e da Secretaria de Segurança Pública, cujas notas e esclarecimentos serão incluídos na íntegra assim que recebidos.
Destaque – Vila Gomes Cardim, na região do Tatuapé, em São Paulo, vive onda de delitos noturnos, enquanto supostos vigias com motos e sirenes que imitam as forças policiais atormentam a população com barulho ‘para espantar bandidos’. Fotos: aloimage / Crédito do vídeo: ADT



