Estudo inédito da São Paulo Negócios aponta impacto de R$ 2,7 bilhões no faturamento das empresas e expansão de R$ 1,5 bilhão no PIB municipal em 2025

A cidade de São Paulo consolidou sua posição como o principal motor de inovação tecnológica do país. Um estudo inédito intitulado “Avança Tech / Inteligência Artificial”, realizado pela São Paulo Negócios — agência de promoção de investimentos e exportações da Prefeitura —, revelou que o setor de IA movimentou R$ 1,7 bilhão na capital paulista ao longo de 2025.

O levantamento, que contou com a participação de 52 representantes de big techs, scaleups, consultorias e institutos de pesquisa, mostra que esse volume de investimentos trouxe reflexos profundos para a economia local. O impacto direto gerou um incremento de R$ 2,7 bilhões no faturamento das empresas correlatas, além de injetar R$ 116 milhões na arrecadação de impostos e promover uma expansão de R$ 1,5 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) do município.

O ecossistema da “Capital da Inovação”

O mapeamento classifica São Paulo como a verdadeira capital da inovação no Brasil, identificando 10 segmentos principais na área tecnológica. Juntos, eles englobam cerca de 223 mil empresas operando com serviços de dados, IA, integração e consultoria de soluções — o que representa 21% de todas as firmas do setor de tecnologia no país. A cidade também se destaca como um celeiro de novos negócios, abrigando mais de 2.700 startups.

Esse mercado robusto garantiu à capital paulista reconhecimento internacional. São Paulo é o único município brasileiro a figurar no ranking mundial de desenvolvimento de IA da Academia Brasileira de Ciências, ocupando a 44ª posição global. Além disso, no ranking da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) de 2025, a cidade alcançou a 49ª colocação entre os maiores clusters de inovação do mundo.

Nos últimos quatro anos, a maturidade do ecossistema paulistano foi traduzida em números robustos:
• 684 patentes internacionais registradas;
• 24.349 artigos científicos publicados;
• 1.587 negócios fechados via capital de risco (venture capital);
• 1,02% de toda a inovação produzida globalmente concentrada na cidade.

“Não é sem razão que a capital paulista tenha se destacado internacionalmente. Somos o único município do País integrante desse ranking de desenvolvimento de IA”, enfatiza Alessandra Andrade, presidente da São Paulo Negócios.

Onde a IA está sendo aplicada e quem consome

Internamente, as desenvolvedoras de tecnologia concentram o uso da IA nos setores de Marketing e Vendas (14,5%), Tecnologia da Informação (13,6%) e Administrativo-Financeiro (12,1%). Apenas 1,4% das empresas ouvidas afirmaram não utilizar a ferramenta em seu dia a dia.

Quando olhamos para o mercado consumidor que adquire essas soluções na iniciativa privada, os agentes de IA e as tecnologias de machine learning lideram a demanda (16%). Os setores mais compradores são:

• Bancos, sistema financeiro e seguros: 17%
• Indústria tradicional: 16%
• Saúde e medicina: 13%

A robustez da demanda se apoia na segunda maior força de trabalho tecnológica da América Latina (atrás apenas da Cidade do México) e na 21ª maior do mundo em número de especialistas. O foco de formação está em engenharia de software, ciência de dados, IA e infraestrutura em nuvem — um celeiro tão qualificado que, para 45,7% dos entrevistados, a cidade já está formando profissionais diretamente para o mercado externo.

Estímulo legal: Alíquota de ISS reduzida e Sampa Sandbox

O avanço expressivo de São Paulo em direção à liderança regional não ocorreu por acaso, mas respaldado por um arcabouço jurídico favorável. Leis municipais recentes reduziram drasticamente de 5% para 2% a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) para plataformas digitais que atuam com logística, aplicativos de transporte, administração de imóveis, monitoramento de cargas e audiovisual.

Para acelerar ainda mais esse ciclo, a Prefeitura aposta em dois projetos estruturantes:

• Sampa Sandbox: Instituído por lei, o programa funciona como um ambiente regulatório experimental. Na prática, o poder público flexibiliza burocracias e normas temporariamente para que startups testem inovações de inteligência artificial em condições reais de mercado, avaliando impactos antes que a legislação definitiva seja criada.

• Distrito de Inovação de São Paulo: Lançado em 2024, o projeto promove a proximidade física e a integração em um único território de universidades, grandes empresas de base tecnológica, centros de pesquisa e investidores.

“O Distrito tem como finalidade ampliar a competitividade da cidade, estimular a geração de conhecimento e fortalecer setores estratégicos da economia digital”, conclui a presidente Alessandra Andrade.


Destaque – Cidade consolidou sua posição como o principal motor de inovação tecnológica do país. Foto: Prefeitura de SP


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