Recorrência dessa modalidade de furtos atinge o Tatuapé durante a madrugada. A Câmara Municipal avança com projeto para lacrar comércios irregulares no combate à receptação.
A fiação pública no bairro do Tatuapé voltou a ser alvo de furtos na madrugada desta sexta-feira (14). Na manhã de hoje, a reportagem constatou uma nova ocorrência da modalidade no trecho da Rua Santa Gertrudes, compreendido entre as confluências das ruas Boa Esperança e Matos Guerra, na região da Vila Gomes Cardim e Chácara Santo Antônio.
O registro ocorre poucos dias após uma ação semelhante identificada na madrugada do último domingo (9), quando os cabos foram levados entre as ruas Henrique Dumont e o final da Rua Emílio Mallet. As concessionárias de serviços de internet e TV a cabo foram procuradas para prestar esclarecimentos sobre a interrupção dos serviços e os reparos na rede, mas não se manifestaram até a publicação desta matéria.
Dinâmica do mercado ilícito e apreensão na Grande SP
A repetição dos furtos no bairro reflete a atratividade do cobre no mercado clandestino de metais. Na última quarta-feira (12), paralelamente aos registros no Tatuapé, a Polícia Civil de Franco da Rocha apreendeu meia tonelada de cobre em Mairiporã, na Grande São Paulo. A carga recuperada é avaliada entre R$ 15.000,00 e R$ 32.500,00.
No circuito ilegal, o material costuma ser comercializado com abatimento de 40% a 50% em relação ao valor de mercado. Para dificultar a identificação de procedência, os cabos passam por processos de queima ou trituração antes de serem revendidos com documentação adulterada. As ações geram impacto direto na infraestrutura local e na prestação de serviços de energia e telecomunicações.
Projeto de Lei na Câmara de SP prevê fiscalização de recicláveis
Em resposta ao avanço dessas ocorrências na capital, a Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, nesta quarta-feira (12), parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 461/2024. A proposta é fruto dos trabalhos da CPI dos Furtos de Fios e Cabos, encerrada em junho de 2024.
O projeto estabelece o fortalecimento de fiscalizações preventivas no comércio de recicláveis e sucata de metais, com o objetivo de exigir a comprovação de origem lícita dos materiais. Segundo o relator da matéria, vereador Fabio Riva (MDB), os estabelecimentos que não comprovarem a procedência legal dos produtos estarão sujeitos à lacração.
“A preocupação com esse tipo de furto de fios e cabos cresce na cidade de São Paulo e a ideia do projeto é aumentar a fiscalização nesses comércios que fazem a comercialização de fios e de cabos. Toda essa parte de recicláveis tem uma indústria de cobre, que tem um valor alto. Então o objetivo da fiscalização é garantir a origem lícita desses produtos vendidos e os estabelecimentos que não comprovarem a origem serão lacrados” disse o parlamentar.
Destaque – Furtos de fiação na Vila Gomes Cardim e Chácara Santo Antônio reforçam debate sobre fiscalização no Tatuapé. Foto: aloimage



