Com 918,9 mil eleitores aptos a votar no exterior nas eleições de 2026, os brasileiros que vivem fora do país formam um eleitorado em crescimento. Os Estados Unidos concentram 264.702 eleitores, cerca de 28,9% do total, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O aumento do eleitorado também traz dúvidas sobre o processo de votação, especialmente entre brasileiros que vivem nos Estados Unidos e enfrentam questões relacionadas à imigração.
Voto brasileiro e situação migratória
A situação migratória nos Estados Unidos e a condição eleitoral no Brasil são questões distintas. Segundo o advogado de imigração Otávio Haverroth, ter um visto vencido ou estar em situação migratória irregular não impede automaticamente o brasileiro de exercer seu direito de voto.
“O brasileiro que está nos Estados Unidos continua submetido às regras eleitorais brasileiras no que diz respeito ao seu direito e à sua obrigação de votar”, explica o advogado.
Haverroth afirma que o receio de uma abordagem migratória é compreensível diante das operações de fiscalização nos EUA. Ele recomenda, porém, que os eleitores busquem informações confiáveis antes de tomar decisões com base em rumores ou publicações nas redes sociais.
Em situações migratórias complexas, como processos de deportação ou ordens de remoção, o especialista orienta a consulta individual a um advogado para avaliar eventuais riscos.
Como funciona o voto no exterior
Conforme o TSE, os brasileiros com domicílio eleitoral no exterior votam exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. A organização das eleições é responsabilidade da Justiça Eleitoral brasileira, por meio do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), com apoio das embaixadas e dos consulados.
O eleitor precisa estar com o título regularizado e ter transferido o domicílio eleitoral para o exterior dentro do prazo estabelecido. A votação ocorre em locais definidos pela Justiça Eleitoral, conforme a distribuição dos eleitores em cada país.
O prazo para solicitar o primeiro título, transferir o domicílio ou regularizar os dados terminou em 6 de maio de 2026. Portanto, quem não fez a transferência não poderá se cadastrar presencialmente no consulado no dia da eleição.
O que o eleitor deve fazer
Quem já possui domicílio eleitoral nos Estados Unidos deve consultar a situação do título e confirmar o local de votação nos canais oficiais do TSE.
O tribunal oferece o Autoatendimento Eleitoral — Título Net Exterior, serviço utilizado para solicitar documentos e realizar alterações cadastrais, dentro dos prazos legais. O primeiro turno das eleições brasileiras será realizado em 4 de outubro. Caso necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Para Haverroth, é importante que os brasileiros conheçam seus direitos e avaliem suas circunstâncias individuais, sem deixar que informações não verificadas determinem suas decisões. “Informação jurídica adequada é especialmente importante para quem possui um histórico migratório mais complexo”, conclui o advogado.
Destaque – Brasileiros nos Estados Unidos devem verificar a situação eleitoral e o local de votação antes das eleições de 2026. Imagem: aloart / G. I.



