Menor oferta elevou as cotações ao produtor, enquanto limão-taiti, mel, arroz e feijão também registraram altas; banana nanica e café arábica ficaram mais baratos.


O tomate liderou as altas dos preços pagos ao produtor paulista em setembro, com valorização de 61,4% em relação a agosto. O movimento também atingiu produtos como limão-taiti, mel, arroz e feijão, segundo o relatório mensal elaborado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), divulgado em 8 de outubro. Na outra ponta, banana nanica e café arábica registraram as principais quedas entre os produtos destacados no levantamento.

Os dados foram compilados com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. As cotações são referências para as negociações entre produtores, atacadistas, distribuidores e redes de supermercados. Embora não determinem diretamente o preço final nas prateleiras, ajudam a acompanhar as condições do mercado agrícola e os fatores que podem influenciar os custos de abastecimento.

Tomate acumula alta de 93,5% em um ano

A menor oferta do produto durante setembro contribuiu para a valorização do tomate. O preço médio pago ao produtor paulista passou de R$ 2,66 por quilo, em agosto, para R$ 4,30 em setembro, uma alta de 61,4%. Na comparação com setembro de 2025, o avanço foi ainda maior, chegando a 93,5%.

O limão-taiti também apresentou valorização expressiva, de 29,6% em relação ao mês anterior, alcançando R$ 134,79 por caixa de 27 quilos. De acordo com a análise do Cepea citada no relatório da Faesp, a oferta reduzida nas primeiras semanas de setembro esteve relacionada ao ritmo mais lento da colheita, prejudicada pela intensidade das chuvas.

O mel de abelha teve preço médio de R$ 12,50 por quilo, com alta mensal de 13,6%. O relatório também aponta variações positivas de 38,9% na comparação de três meses, 13,6% em seis meses e 6,4% em 12 meses.

Arroz, feijão, mandioca e soja também sobem

Entre os grãos, o arroz em casca registrou alta de 12,5% em setembro, chegando ao preço médio de R$ 105,75 por saca de 60 quilos. Em relação ao mesmo mês de 2025, a valorização foi de 30,4%.

O feijão cores subiu 10,7% frente a agosto, atingindo R$ 331,75 por saca de 60 quilos. Em 12 meses, a alta acumulada chegou a 35,2%.

A mandioca raiz e a soja também fecharam setembro em alta. A primeira avançou 7,6%, com preço médio de R$ 540,13 por tonelada, enquanto a soja subiu 7,3%, alcançando R$ 139,64 por saca de 60 quilos.

Banana nanica registra a maior queda

Entre os produtos que ficaram mais baratos, a banana nanica apresentou o recuo mais acentuado, de 15,7%, com preço médio de R$ 1,44 por quilo. A banana prata também registrou queda, de 4,8%, passando a R$ 3,14 por quilo.

Segundo a análise do Cepea, a demanda mais fraca pela banana contribuiu para pressionar as cotações em São Paulo. No Vale do Ribeira, uma das principais regiões produtoras do estado, as chuvas intensas de setembro atingiram especialmente as plantações localizadas em áreas de várzea.

A perspectiva indicada no relatório é de forte retração do volume produzido em 2026, com possíveis efeitos sobre a oferta da fruta até o final do primeiro semestre de 2027. O cenário merece acompanhamento, pois a redução da produção pode alterar as condições de mercado nos próximos meses.

Café arábica recua com avanço da colheita

O café arábica também apresentou queda em setembro. O preço médio foi de R$ 1.590,83 por saca de 60 quilos, recuo de 10,2% em relação a agosto e de 28,9% na comparação com setembro de 2025.

De acordo com o relatório da Faesp, a retração das cotações está relacionada ao elevado volume de colheita da safra 2026/27, à recuperação dos estoques certificados na bolsa de Nova York (ICE Futures) e às condições favoráveis de chuva nas regiões produtoras.

As variações observadas em setembro mostram que os preços agrícolas respondem a diferentes fatores, como disponibilidade de produtos, ritmo de colheita, condições climáticas e demanda. O acompanhamento dessas cotações permite compreender melhor a dinâmica do setor e os possíveis reflexos sobre o abastecimento e o mercado de alimentos.


Destaque – Tomate sobe 61,4% em setembro, enquanto banana nanica e café arábica registram queda nos preços ao produtor paulista. Imagem: aloart / G. I.


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