Escolha do deputado e ex-procurador reforça a pauta anticorrupção e a defesa de aposentados, mas reacende embates judiciais e o debate sobre riscos de isolamento político.
O cenário eleitoral para a disputa do Palácio do Planalto ganhou novos contornos com a oficialização do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como pré-candidato a vice-presidente na chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O anúncio, realizado pela direção nacional do Partido Liberal na última quarta-feira (5), confirmou a opção por uma chapa pura — formada por quadros filiados exclusivamente ao PL —, encerrando semanas de articulações e intensas especulações sobre alianças e o perfil ideal para compor o posto.
A cerimônia de anúncio buscou transmitir uma mensagem de coesão interna e valorização das lideranças femininas da base conservadora. Na primeira fileira do evento, estiveram presentes parlamentares e gestoras que haviam sido cotadas diretamente para o posto de vice, entre elas a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). O ato contou ainda com a participação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) e de Fernanda Bolsonaro, esposa do pré-candidato, sinalizando a convergência das aliadas após PP e Republicanos definirem posição de neutralidade na disputa presidencial.
Combate ao crime, atuação na CPMI do INSS e perfil conservador
A indicação de Alfredo Gaspar foi fundamentada pelo PL, com base na sua trajetória profissional e política. Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário de Segurança Pública, Gaspar construiu sua projeção pública na área do enfrentamento ao crime organizado e na defesa do rigor institucional.
No Congresso Nacional, sua atuação ganhou destaque nacional à frente da relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Durante as investigações sobre fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários, o parlamentar adotou uma postura incisiva na defesa dos direitos dos aposentados e pensionistas, solicitando inclusive o indiciamento de figuras ligadas ao governo, como o Lulinha, filho do atual presidente. O desempenho na comissão foi classificado pelo núcleo da campanha como um divisor de águas que o credenciou para representar a pauta da integridade e da moralização da gestão pública.
Oposição, acusações em apuração e determinação do STF
A confirmação do nome do parlamentar alagoano também trouxe de volta ao centro do debate político os intensos embates travados com oponentes no Congresso. Durante os trabalhos da CPMI do INSS, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionaram autoridades imputando a Gaspar acusações graves relacionadas a um fato antigo e sem provas anexadas de estupro a vulnerável. Em resposta, o parlamentar refutou veementemente as alegações, classificando-as como uma manobra de perseguição política em reação ao seu parecer no colegiado. Para demonstrar sua inocência, Gaspar realizou exames espontâneos de DNA, apresentou depoimentos públicos e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com queixa-crime por calúnia e injúria contra os parlamentares da oposição.
O desdobramento judicial ganhou um novo capítulo com a atuação direta do STF. De acordo com informações divulgadas pela Gazeta do Povo, o ministro Gilmar Mendes intimou formalmente o deputado Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke, fixando um prazo de 15 dias para que os parlamentares apresentem justificativas e esclarecimentos sobre as acusações proferidas contra o candidato a vice.
Estratégias divergentes e os riscos do isolamento político
A opção por uma chapa homogênea dividiu analistas e estrategistas eleitorais. Conforme análise destacada por veículos como a BBC, a definição por dois nomes do mesmo partido evoca momentos históricos em que composições sem alianças partidárias amplas — a exemplo da chapa de Jair Bolsonaro em 2018 com o general Hamilton Mourão — resultaram em maior vulnerabilidade de governabilidade e risco de isolamento político frente ao centro democrático.
Por outro lado, defensores da escolha sustentam que a presença de um ex-procurador de Justiça com perfil combativo blinda ideologicamente a candidatura, atrai o eleitorado focado na segurança pública e garante plena sintonia entre presidente e vice, evitando concessões fisiológicas no arco de alianças formais. O equilíbrio entre a manutenção da base conservadora e a expansão para eleitores moderados desponta como o principal desafio da campanha até o pleito de outubro.
Destaque – Escolha de Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro consolida chapa pura do PL focada em segurança pública. Imagem: PL / Divulgação



