Nova pesquisa nacional mostra estabilidade no topo e teto de crescimento para os dois lados, enquanto governadores de direita buscam espaço como alternativa para a terceira via.
A corrida pela Presidência da República a menos de quatro meses do pleito continua desenhando um cenário de forte polarização. A nova rodada da Pesquisa Nacional Presidência, realizada pelo Instituto GERP, revela que a disputa segue concentrada nos mesmos polos políticos tradicionais. O levantamento, registrado sob o número BR-09657/2026, ouviu 2.000 eleitores em todo o país e apresenta uma margem de erro de ±2,19 pontos percentuais.
De acordo com os números, tanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro aparecem isolados na frente, configurando uma situação de empate técnico dentro da margem de erro, tanto no primeiro quanto nas simulações de segundo turno.
Cenário de 1º turno: Disputa consolidada no topo
Nas intenções de voto estimuladas para o primeiro turno, a soma das candidaturas alternativas ainda não consegue ameaçar o favoritismo dos líderes. O atual mandatário oscilou positivamente dentro da margem em relação ao início do mês, enquanto o nome da oposição manteve a estabilidade.
○ Lula: 37%
○ Flávio Bolsonaro: 34%
○ Ronaldo Caiado: 4%
○ Romeu Zema: 3%
○ Renan Santos: 3%
○ Joaquim Barbosa: 1%
○ Cabo Daciolo: 1%
○ Augusto Cury: 1%
○ Samara Martins: 1%
○ Branco / Nulo / Nenhum: 6%
○ Não sabe / Não respondeu: 11%
Cristalização de voto e divisões demográficas
Um dos dados mais estratégicos trazidos pelo Instituto GERP diz respeito à convicção do eleitor. Setenta e seis por cento (76%) dos entrevistados afirmam que sua escolha de voto já está totalmente definida, contra 23% que admitem que ainda podem mudar de opinião até o dia da eleição. A firmeza do voto é ligeiramente maior entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (83%) do que entre os eleitores de Lula (80%).
A pesquisa detalha ainda os principais nichos geográficos e demográficos de cada candidato:
○ Gênero: Lula mantém ampla vantagem entre as mulheres (39% contra 27% de Flávio). Entre os homens, o cenário se inverte, com Flávio Bolsonaro liderando por 41% a 34%.
○ Religião: No segmento evangélico, o candidato da oposição atinge seu ápice, registrando 45% das intenções de voto contra 25% do petista. Entre os católicos, Lula lidera com 41% contra 30% do senador.
○ Região: O Nordeste continua sendo o principal bastião eleitoral de Lula, onde ele soma 50% contra 28% de Flávio. No Sul, Flávio lidera com 45% contra 26% do atual presidente. No Centro-Oeste, o governador Ronaldo Caiado ganha tração regional e atinge 26% das intenções de voto locais.
Segundo turno e os gargalos da avaliação de governo
Nas simulações de segundo turno, o equilíbrio é milimétrico no principal cenário testado, mantendo o cenário de empate técnico rigoroso entre as duas forças:
○ Cenário 1: Flávio Bolsonaro 41,5% × 40,2% Lula (Nenhum: 14,8% | Não sabe: 3,5%)
○ Cenário 2: Lula 38,8% × 35,5% Romeu Zema (Nenhum: 21,4% | Não sabe: 4,3%)
○ Cenário 3: Lula 39,1% × 37,8% Ronaldo Caiado (Nenhum: 18,6% | Não sabe: 4,5%)
O teto de crescimento de Lula na corrida presidencial encontra reflexo direto nos índices de aprovação de sua gestão no Palácio do Planalto. De acordo com o GERP, a desaprovação ao governo federal atinge 50%, enquanto a aprovação soma 43%.
Esse patamar se traduz diretamente no índice de rejeição estimulada única, indicador no qual o atual presidente aparece numericamente na frente: 48% dos eleitores brasileiros afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. A rejeição de Flávio Bolsonaro se fixa em 44%.
Faltando poucos meses para a definição oficial das candidaturas nas convenções partidárias, o levantamento indica que o sucesso de ambos os lados dependerá da capacidade de dialogar com os 11% de indecisos e reduzir a resistência nos grupos demográficos em que enfrentam maior rejeição.
Destaque – Senador Flávio Bolsonaro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert / PR



