Sintoma atinge cerca de 28 milhões de brasileiros e pode estar associado desde a perdas auditivas até alterações metabólicas e cardiovasculares.
O zumbido no ouvido — tecnicamente chamado de tinnitus ou acúfenos — afeta cerca de 14% da população adulta mundial, o equivalente a 740 milhões de pessoas, segundo dados publicados na revista científica JAMA Neurology. No Brasil, estimativas da Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde indicam que o sintoma atinge aproximadamente 28 milhões de pessoas. Embora muitas vezes seja percebido apenas como um incômodo passageiro, a manifestação pode sinalizar condições médicas subjacentes que demandam investigação especializada.
De acordo com a médica otorrinolaringologista Bruna Assis, do Hospital Paulista, o zumbido não se caracteriza como uma doença isolada, mas sim como uma manifestação sintomática. “O zumbido pode ser provocado por uma série de condições, tanto auditivas quanto neurológicas. Por isso, sempre que um paciente apresentar esse sintoma, é essencial buscar orientação médica”, orienta a especialista.
A origem do distúrbio costuma estar associada ao desgaste das células sensoriais do ouvido interno — frequentemente decorrente da exposição contínua a ruídos elevados —, mas também pode decorrer de alterações nos ossículos auditivos, doença de Ménière, disfunções na articulação temporomandibular (ATM), distúrbios metabólicos, alterações cardiovasculares e quadros de depressão.
Mapeamento clínico e estratégias de tratamento
A investigação médica abrange a identificação das características do som, seu tempo de duração e a presença de sintomas correlacionados, como tontura e perda de equilíbrio. Entre as ferramentas diagnósticas, a acufenometria — realizada por meio de audiômetro — auxilia na identificação da frequência e da intensidade do ruído. “Esse exame ajuda a mapear a frequência do som do zumbido e permite ao médico obter informações importantes sobre a origem do problema”, detalha a otorrinolaringologista. O protocolo clínico pode incluir ainda exames físicos da região mandibular e vascular, além de exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética para casos complexos.
A definição da conduta terapêutica está condicionada à causa identificada. A abordagens podem variar desde intervenções simples, como a remoção de cerume ou tratamento de infecções locais, até condutas multidisciplinares para quadros persistentes. Nesses casos, o plano de cuidado pode envolver a adaptação de aparelhos de amplificação sonora, terapias de reabilitação auditiva e suporte psicológico. “É importante que as pessoas estejam conscientes da gravidade do zumbido e busquem ajuda médica para entender a causa do sintoma e iniciar o tratamento adequado. Quanto mais cedo a investigação começar, maiores são as chances de encontrar a solução certa”, conclui a médica.
Destaque – Investigação médica do zumbido auditivo permite identificar causas subjacentes e orientar o tratamento adequado. Imagem: aloart / G. I.



