Autoridades de saúde reforçam a necessidade de imunização diante do aumento de confirmações e das baixas coberturas vacinais; confira as diretrizes para cada região e o tira-dúvidas completo para a população.


A confirmação de 23 casos de sarampo no estado de São Paulo em 2026 levou a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) a adotar medidas intensivas de contenção epidemiológica e conscientização. Entre as principais ações está a vacinação indiscriminada destinada aos moradores de seis meses a 59 anos dos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Para abastecer as Salas de Vacina, a gestão estadual realizou o envio emergencial de 150 mil doses da vacina tríplice viral para a capital paulista e 80 mil doses para São Bernardo do Campo, assegurando o suprimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A mobilização ocorre em paralelo à Campanha de Multivacinação, voltada à atualização da caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos nos 645 municípios paulistas. O cenário reacendeu o alerta das autoridades sanitárias para o impacto direto da queda nas taxas de imunização registradas nos últimos anos. Atualmente, a cobertura da primeira dose em SP está em 77,5% e a da segunda em 65,5% — índices significativamente abaixo da meta de 95% fixada pelo Ministério da Saúde para assegurar a proteção coletiva.

Dos casos confirmados até o momento, dois são importados e os demais possuem relação com a importação viral. A maioria dos pacientes afetados (16 pessoas) não possuía histórico de vacinação ou apresentava o esquema incompleto, englobando bebês de até dois anos e adultos entre 20 e 50 anos.

Diagnóstico, transmissão e perfil da vacina

O sarampo é uma infecção viral aguda de alta transmissibilidade, cuja propagação ocorre por meio de aerossóis e secreções expelidas ao falar, tossir, espirrar ou respirar. A contaminação pode ocorrer mesmo antes do surgimento completo dos sinais visíveis, o que favorece a formação de surtos urbanos.

O quadro clínico inicial é marcado por febre alta, manchas avermelhadas na pele (exantemas) que começam no rosto e progridem pelo corpo, tosse, coriza, conjuntivite (olhos avermelhados e fotofobia) e mal-estar intenso. Em cenários de maior severidade, a doença pode evoluir para complicações graves, como pneumonia, infecções otológicas e encefalite (inflamação no cérebro), afetando especialmente crianças pequenas, gestantes e indivíduos imunocomprometidos.

Para conter o avanço da infecção, a vacina tríplice viral — que também confere proteção contra caxumba e rubéola — é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante utiliza versões vivas, porém atenuadas (enfraquecidas), dos vírus. Esse processo reduz a capacidade de provocar a doença, capacitando o sistema imunológico a criar defesas duradouras de forma segura. Reações graves são extremamente raras, restringindo-se comumente a dor local, febre branda ou leves manchas temporárias na pele.

Diretrizes de imunização por localidade

As estratégias de vacinação foram divididas conforme o risco epidemiológico regional:

○ Municípios em vacinação indiscriminada (São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo): Todos os moradores de 6 meses a 59 anos devem procurar uma UBS para receber a dose de reforço contra o sarampo, independentemente do histórico vacinal prévio, desde que não apresentem contraindicações médicas.

○ Demais municípios do estado: A orientação é a busca ativa e atualização do esquema vacinal de rotina, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI):

• Crianças: Primeira dose (tríplice viral) aos 12 meses; segunda dose (preferencialmente tetraviral) aos 15 meses.

• Pessoas de 5 a 29 anos: Devem comprovar duas doses da vacina tríplice viral (com intervalo mínimo de 30 dias).

• Pessoas de 30 a 59 anos: Devem comprovar uma dose da vacina.

• Trabalhadores da saúde: Devem comprovar duas doses, independentemente da idade.

• Bebês de 6 a 11 meses e 29 dias: Recebem a chamada “dose zero” em contextos de risco ou surto. Esta aplicação atua como proteção adicional antecipada e não substitui o esquema regular previsto aos 12 e 15 meses.

Perguntas e Respostas: Tire suas dúvidas sobre o sarampo e a vacinação

Posso tomar a vacina contra o sarampo junto com outros imunizantes?
Depende do tipo de vacina. Pessoas que receberam nos últimos 30 dias outra vacina de vírus vivo atenuado (como febre amarela ou varicela) precisam respeitar o intervalo recomendado pelas equipes de saúde antes de tomar a tríplice viral. Na UBS, os profissionais avaliarão a caderneta para indicar a data adequada.

Por que a vacinação indiscriminada é recomendada apenas para São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo?
A medida foi adotada pontualmente nesses três municípios devido à confirmação e concentração de casos de sarampo e ao risco elevado de disseminação comunitária. Nos demais municípios paulistas, a orientação é a verificação da situação vacinal e a atualização de doses em atraso conforme a idade.

Quem possui o esquema vacinal completo e mora nesses três municípios precisa tomar a vacina novamente?
Sim. Moradores de 6 meses a 59 anos dessas três cidades devem receber a dose da campanha de vacinação indiscriminada, independentemente de já possuírem o histórico vacinal completo, desde que respeitados os intervalos de vacinas atenuadas anteriores e as contraindicações.

Por que a recomendação abrange a faixa de 6 meses a 59 anos?
A partir dos 6 meses, o bebê já tem maturidade imunológica para responder ao imunizante e pode não mais contar com a proteção dos anticorpos maternos. A antecipação reduz a vulnerabilidade em momentos de surto. Já para pessoas com 60 anos ou mais, a vacinação indiscriminada não é indicada porque se considera que a maioria já teve contato natural com o vírus ao longo da vida, desenvolvendo imunidade duradoura.

O que é a “dose zero” e quem deve tomar?
A “dose zero” é uma estratégia operacional para bebês de 6 a 11 meses e 29 dias que vivem ou se deslocam para áreas de surto. Trata-se de uma proteção extra que não substitui as duas doses obrigatórias do calendário básico aos 12 e 15 meses.

Viajarei para a capital paulista, Guarulhos ou São Bernardo do Campo. Preciso me vacinar?
O simples deslocamento temporário para esses municípios não gera indicação para a vacinação indiscriminada. A orientação para viajantes é apenas conferir a caderneta e garantir que as doses de rotina do PNI estejam em dia.

Gestantes e lactantes podem receber a vacina?
A vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes por conter vírus atenuados. Mulheres em idade fértil que receberem o imunizante devem evitar a gravidez por pelo menos 30 dias após a aplicação. Por outro lado, lactantes podem ser vacinadas normalmente, pois a vacina não oferece riscos ao bebê e a amamentação não precisa ser interrompida.

Pessoas com imunodeficiência ou alergias graves podem vacinar?
Indivíduos com imunodeficiência grave ou com histórico de reação alérgica grave (anafilaxia) a algum componente da fórmula não devem tomar a vacina. Casos específicos devem passar por avaliação médica prévia.

Quais são os principais sintomas do sarampo?
Febre alta, manchas avermelhadas na pele (que iniciam no rosto e avançam pelo corpo), tosse, coriza, conjuntivite (olhos avermelhados e sensibilidade à luz) e mal-estar intenso.

Como a doença é transmitida e o que fazer em caso de suspeita?
A transmissão ocorre por secreções respiratórias expelidas ao falar, tossir, espirrar ou respirar. Diante de sintomas suspeitos, deve-se procurar atendimento médico imediato em uma UBS para avaliação e exames, mantendo o isolamento preventivo e informando sobre histórico de viagens e vacinação.

Onde se vacinar e como obter mais informações oficiais?
A vacina é gratuita e está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde do estado. Recomenda-se apresentar documento de identidade e a caderneta de vacinação. Para sanar outras dúvidas sobre eficácia e eventos adversos, o Governo de São Paulo disponibiliza o portal oficial Vacina 100 Dúvidas.


Destaque – Estado de SP envia novas doses da tríplice viral para conter o avanço do sarampo na Grande São Paulo. Foto: Governo de SP


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