Com passado ligado às tribos nativas e ordens religiosas, cafezais e à imigração japonesa, o segundo maior parque de São Paulo celebra meio século de história.


A história da área de quase 1,5 milhão de metros quadrados que hoje abriga o Parque do Carmo remonta às origens do povoamento da zona Leste da capital. O território era originalmente habitado por três etnias indígenas: os itaquerus, que deram nome ao distrito de Itaquera; os guaianás, que originaram o nome do bairro vizinho de Guaianases; e os caaguaçus. A dinâmica local sofreu uma grande transformação a partir de 1722, quando os religiosos da Ordem Terceira do Carmo Fluminense assumiram a posse da região com o objetivo de catequizar os nativos. Diante do choque cultural, os indígenas acabaram se deslocando para terras mais distantes. Conhecidos como ‘carmelitas’, os religiosos transformaram a propriedade na Fazenda Caaguaçu — expressão que significa “Mata Grande” no idioma nativo e que mais tarde nomearia a principal via de acesso da região, atual Avenida Afonso Sampaio e Sousa.

Ao longo do século XVIII e XIX, a exploração agrícola e a criação de gado tornaram-se as principais atividades da fazenda. A intensa substituição da mata nativa por lavouras modificou o ecossistema original. Em 1919, as terras foram vendidas para a Companhia Pastoril e Agrícola, liderada pelo coronel Bento Pires, que intensificou o cultivo de café aproveitando a proximidade da linha férrea introduzida na região pelo engenheiro Artur Alvim. Na década de 1920, o Coronel Bento Pires iniciou o primeiro loteamento da propriedade, dando origem a bairros como a Vila Carmosina e a Cidade Líder, enquanto o remanescente passou a ser chamado de Fazenda do Carmo. Foi nessa mesma época que o proprietário incentivou a chegada de imigrantes japoneses para a formação de pequenas propriedades produtivas com mão de obra especializada, semente que anos mais tarde daria origem ao plantio de cerejeiras, árvore simbólica da cultura japonesa.

 

Aspecto de uma área do Parque do Carmo registrada em 2008. Foto: Wikipedia

 

Loteamento formou o ‘Morumbizinho’

Com o declínio do ciclo do café na década de 1940, a fazenda foi adquirida pelo engenheiro civil Oscar Americano de Caldas Filho, fundador da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO). Ele loteou parte da área sob o slogan “Venham morar no Morumbi da zona Leste”, atraindo a classe média e alta para o atual Jardim Nossa Senhora do Carmo, conhecido em alguns pontos como Morumbizinho. Curiosamente, as mais de mil casas desse novo loteamento foram abastecidas por anos pela água da nascente do atual parque, que era impulsionada por bombas até a caixa d’água localizada onde hoje fica a Igreja da Paz e distribuída sob o comando diário do folclórico morador conhecido como “Zé da água”. Oscar Americano reservou o miolo da propriedade para lazer particular de sua família, realizando melhorias que moldaram o desenho atual do espaço: reformou o casarão histórico da fazenda (atual CEA Carmo), plantou espécies de eucalipto e pinus para testes industriais, ergueu a casa de hóspedes (hoje sede da administração), a casa das crianças e babás (hoje sede da Guarda Civil Metropolitana) e represou o córrego principal para criar um grande lago artificial voltado a esportes náuticos.

Após o falecimento de Oscar Americano em 1974, a área foi adquirida pela Prefeitura de São Paulo e pela COHAB. O poder público aproveitou as estruturas existentes para implementar banheiros, churrasqueiras, playgrounds e áreas de descanso, inaugurando oficialmente o Parque do Carmo em 19 de setembro de 1976. O local tornou-se o segundo maior parque urbano da capital e passou a integrar a Área de Proteção Ambiental (APA) do Carmo, um perímetro verde de 9 milhões de metros quadrados. Em 2012, o espaço foi rebatizado de Parque do Carmo – Olavo Egydio Setúbal, em homenagem ao ex-prefeito que oficializou a criação do parque.

 

46ª Festa das Cerejeiras no Parque do Carmo. Foto: Leon Rodrigues / Prefeitura de SP

 

Revitalização de R$ 78 milhões moderniza a infraestrutura

Com capacidade para receber até 500 mil visitantes em dias de grande movimento, o Parque do Carmo passou por um amplo projeto de requalificação coordenado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), totalizando R$ 78 milhões em investimentos sem perder a identidade histórica e paisagística do local.

As intervenções de modernização englobam:
○ Núcleo esportivo: Reformulação completa da pista de cooper, campo de futebol com grama natural, quadras poliesportivas, mini quadras de basquete, academia para a terceira idade e playground infantil.
○ Infraestrutura e conforto: Reforma e ampliação dos seis conjuntos de sanitários, modernização do Viveiro Arthur Etzel, nova iluminação externa, melhorias na pavimentação e construção de 77 quiosques para a Cooperativa dos Trabalhadores Ambulantes.
○ Equipamentos e meio ambiente: Implantação de uma Fonte Flutuante no lago com jatos d’água iluminados de 10 metros de altura, estudos para recuperação do Planetário Prof. Acácio Riberi e a ampliação das ações de preservação das 4.000 árvores do Bosque das Cerejeiras e das 268 espécies da fauna catalogadas.

Celebração do cinquentenário e informações para visitação

Para marcar a celebração dos 50 anos, o Parque do Carmo recebe nos dias 19 e 20 de setembro uma programação especial e gratuita promovida pela SVMA com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

A agenda de aniversário reúne atrações culturais e grandes shows nacionais, com destaque para a dupla sertaneja Henrique & Diego no sábado e o cantor Alexandre Pires no domingo, ambos se apresentando no Palco Zona Leste. O público poderá ainda participar de 12 oficinas gratuitas na Arena Lúdica 360º, atividades esportivas e recreativas na Arena Kids, visitas guiadas conduzidas por educadores ambientais e conferir a Exposição Cinco Décadas no gramado do lago.

A programação completa com horários de todas as atrações está disponível para consulta nos canais digitais da Prefeitura de São Paulo.

O Parque do Carmo fica localizado na Avenida Afonso Sampaio e Souza, 951, no distrito de Itaquera, zona Leste de São Paulo. O acesso pode ser feito de carro com estacionamento no local ou por linhas de ônibus que partem dos terminais das estações Itaquera e Corinthians-Itaquera do Metrô e da CPTM. O parque funciona diariamente com entrada gratuita.


Fonte de pesquisas: Wikipedia e Prefeitura de São Paulo


Destaque – Parque do Carmo completa 50 anos com programação gratuita. Foto: Prefeitra de SP


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