Levantamento da Resenha Company com executivos aponta que transição política, Reforma Tributária e custo do crédito desaceleram investimentos e novas contratações no país.
O empresariado brasileiro chega ao último quadrimestre de 2026 em clima de compasso de espera. Uma pesquisa realizada pela Resenha Company, ecossistema que reúne empresários e executivos de nível C-level, revelou que 87,5% dos respondentes já sentem reflexos diretos ou indiretos do processo eleitoral de outubro no planejamento de seus negócios. O cenário reflete o adiamento ou antecipação de decisões estratégicas de investimento e a adoção de posturas mais conservadoras por parte de clientes e fornecedores em todo o país.
O estudo, conduzido em meados de agosto com cem lideranças empresariais, traça um retrato de conservação de caixa e busca por estabilidade institucional. Do total de entrevistados, 39,1% relataram sentir impactos indiretos provocados pelo represamento de decisões em suas cadeias de fornecimento e clientes. Outros 28,1% afirmaram ter suspendido suas próprias deliberações de investimento até a definição das urnas, enquanto 20,3% optaram por antecipar projetos para se blindar das volatilidades do período eleitoral.
Expectativa neutra e foco na contenção de custos fixos
O ambiente de incerteza reflete-se na moderação das expectativas para o encerramento do exercício de 2026. Diante do quadro para os meses de setembro a dezembro, 42,2% dos executivos posicionaram-se de forma neutra, enquanto 37,5% demonstraram otimismo com o fechamento do ano. A parcela de pessimistas somou 20,3%, consolidando a leitura de que a prudência predomina sobre o ímpeto de expansão.
Em relação às metas de desempenho, 34,4% dos entrevistados declararam que a prioridade é a manutenção da estabilidade operativa ou a gestão de uma eventual retração, não projetando crescimento para a etapa final do ano. A busca por incremento no faturamento foi citada por 28,1% dos líderes, enquanto a ampliação do quadro de colaboradores figurou em último lugar nas intenções, mencionada por apenas 3,1% das empresas, o que confirma a estratégia de rígida contenção das despesas fixas.
Reforma Tributária e juros elevados lideram apreensões
No rol dos gargalos que pressionam o setor produtivo, a adaptação às diretrizes da Reforma Tributária assumiu o topo das preocupações, sendo assinalada por 64,1% dos empresários consultados. As taxas de juros e o custo do crédito encarreiraram a segunda posição entre as principais dores, citados por 53,1% da amostra, seguidos pelas incertezas quanto ao repasse de preços na nova estrutura fiscal, presente em 43,8% das respostas. Variações cambiais e insumos (32,8%) e a escassez de mão de obra qualificada (23,4%) também integraram os desafios operacionais.
Diante do duplo impacto de transformações tributárias e volatilidade política, as lideranças corporativas têm buscado adaptar suas estratégias. O fundador e CEO da Resenha Company, Vinicius Chechinato, avalia que os dados sinalizam amadurecimento e planejamento no setor privado. “Os dados mostram um empresário brasileiro mais maduro e estratégico diante da incerteza. Ele não está paralisado, mas fazendo escolhas mais calculadas num cenário que combina Reforma Tributária, juros elevados e eleições no mesmo semestre. É a cautela de quem já atravessou ciclos difíceis e sabe preservar caixa para aproveitar as oportunidades certas quando o cenário se definir”, explica o executivo. Chechinato acrescenta ainda que a troca de experiências e a conexão entre pares em redes corporativas ganham relevância estratégica na tomada de decisões em momentos de instabilidade macroeconômica.
Destaque – Pesquisa da Resenha Company indica que 87,5% dos empresários sentem impacto das eleições e da Reforma Tributária em seus negócios. Imagem: aloart / G. I.





