Pesquisa da Ipsos em 32 países mostra que 80% dos brasileiros veem o preço como barreira a bons serviços de saúde; espera por consultas e falta de prevenção também preocupam.
O custo dos serviços de saúde é uma das principais barreiras de acesso para a população brasileira. Segundo o Monitor da Saúde 2026, realizado pela Ipsos em 32 países, 80% dos entrevistados no Brasil concordam que muitas pessoas não conseguem pagar por um bom atendimento. Além disso, 76% consideram excessivo o tempo de espera por consultas médicas e 64% avaliam que o sistema de saúde está sobrecarregado.
Os resultados revelam um cenário de dificuldades de acesso e insatisfação com os serviços disponíveis, mas também apontam expectativa de melhora. Para 61% dos entrevistados, a qualidade do atendimento de saúde na região onde vivem deverá aumentar nos próximos anos. Outros 31% esperam estabilidade e 9% acreditam em uma piora.
A avaliação do atendimento atual é menos positiva. Apenas 28% classificam como boa ou muito boa a assistência à qual eles e suas famílias têm acesso. Para 37%, a qualidade é regular, enquanto 35% a consideram ruim ou muito ruim.
Brasil aponta falta de prevenção como problema central
O acesso a tratamentos e os longos períodos de espera aparecem entre os principais problemas do sistema de saúde brasileiro, citados por 43% dos entrevistados. Em seguida, estão a falta de investimento em saúde preventiva (41%) e a insuficiência de recursos destinados ao sistema (38%).
A percepção sobre a prevenção coloca o Brasil na liderança entre os 32 países pesquisados: é onde a maior proporção de entrevistados identifica a falta de investimento nessa área como um dos principais problemas da saúde.
O levantamento também mostra uma diferença expressiva entre o acesso a médicos e a farmácias. Enquanto 39% dos brasileiros consideram fácil conseguir uma consulta médica na região onde vivem, 73% dizem ter facilidade para acessar uma farmácia.
No Índice de Percepção da Qualidade do Atendimento, que reúne indicadores de satisfação, confiança, acesso e equidade, o Brasil registra 42%. O resultado fica abaixo dos índices da Argentina (53%) e do México (45%). A Malásia lidera, com 72%, seguida por Singapura e Índia, ambos com 68%.
“Os dados mostram que a percepção dos brasileiros sobre a saúde passa não apenas pela qualidade do atendimento, mas também pelo acesso, pelo tempo de espera e pela prevenção”, afirma Adriana Ghobril, líder de Pesquisas de Saúde na Ipsos Brasil. Ela também destaca que a maioria dos entrevistados espera uma melhora na qualidade dos serviços nos próximos anos.
Saúde mental lidera preocupações dos brasileiros
A saúde mental é apontada como o principal problema de saúde no Brasil por 58% dos entrevistados. Na sequência aparecem o câncer (37%), o estresse (29%), o abuso de drogas (27%) e a obesidade (25%).
O abuso de álcool foi citado por 18%, seguido pelo diabetes (17%) e pelas doenças cardíacas (15%). Os percentuais representam a percepção dos participantes sobre os problemas de saúde mais relevantes no país, não a incidência ou a prevalência dessas condições na população.
Redes sociais ampliam conhecimento sobre medicamentos GLP-1
O Monitor da Saúde 2026 também identificou um aumento no conhecimento sobre medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, utilizados em diferentes contextos terapêuticos, incluindo o tratamento do diabetes e da obesidade.
No Brasil, 74% dos entrevistados afirmam já ter ouvido falar desses medicamentos, ante 50% na média dos 32 países pesquisados. Em relação a 2025, o conhecimento sobre a classe aumentou 17 pontos percentuais no país.
Entre os brasileiros que conhecem esses medicamentos, as redes sociais são a principal fonte de informação, citadas por 61%. A mídia tradicional aparece em seguida, com 50%, e familiares ou amigos são mencionados por 30%. Apenas 14% citam profissionais de saúde como fonte de conhecimento.
A tendência também aparece no resultado internacional: na média dos países pesquisados, 48% mencionam as redes sociais e 40% a mídia tradicional, enquanto 20% citam profissionais de saúde.
Os dados evidenciam a importância dos canais digitais na circulação de informações sobre tratamentos. O percentual de pessoas que conhece esses medicamentos, porém, não indica necessariamente que os utilizem ou que tenham recebido orientação médica sobre seu uso.
Como foi feita a pesquisa
O Monitor da Saúde 2026 (Ipsos Health Service Report 2026) foi realizado pela Ipsos por meio da plataforma on-line Global Advisor, entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026. Foram entrevistados 22.528 adultos em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil.
Destaque – O custo é apontado por 80% dos brasileiros como barreira ao acesso a bons serviços de saúde. A pesquisa também destaca a espera por consultas e a falta de investimento em prevenção. Imagem: aloart / G. I.




