Segunda ocorrência no poço Morpho amplia dados sobre a Bacia da Foz do Amazonas, mas volume e viabilidade comercial ainda não foram definidos
A Petrobras anunciou uma nova ocorrência de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da costa do Amapá. A descoberta é a segunda identificada no mesmo poço desde agosto e amplia o conjunto de informações que serão utilizados para avaliar o potencial exploratório da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas.
O poço está a 175 quilômetros da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros. O novo intervalo portador de petróleo foi identificado durante a continuidade da perfuração, por meio de perfis elétricos, indícios observados nas rochas e amostras de fluidos coletadas durante a operação.
A Petrobras ainda não divulgou estimativa de volume para essa nova ocorrência. As amostras passarão por análises laboratoriais, que deverão ajudar a determinar as características do petróleo e a integrar os resultados aos demais dados obtidos durante a perfuração. A empresa informou que concluirá os trabalhos no poço e continuará avaliando as formações encontradas.
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Descoberta não significa ainda uma reserva comercial
A diferença é importante. Encontrar petróleo em um poço exploratório confirma a presença de hidrocarbonetos, mas não significa, por si só, que já exista uma reserva comercialmente aproveitável.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível garantir a existência de uma descoberta com valor comercial, embora os resultados aumentem o otimismo da companhia. Segundo ela, as próximas etapas deverão determinar o volume e a viabilidade econômica da área.
No caso da primeira ocorrência no Morpho, anunciada em agosto, a Petrobras informou posteriormente que as análises confirmaram a boa qualidade do petróleo. Para a nova descoberta, porém, os estudos ainda estão em andamento.
A programação divulgada pela Petrobras prevê, posteriormente, novos poços de delimitação no bloco para avaliar o volume das jazidas e definir a comercialidade da área. Segundo a Agência Brasil, está prevista uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027 para a perfuração de três desses poços.
O que é a Margem Equatorial
A área faz parte da Margem Equatorial, faixa marítima que se estende aproximadamente do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá e que passou a ser considerada uma das novas fronteiras exploratórias de petróleo e gás do país.
O interesse aumentou após as descobertas realizadas nos últimos anos na Guiana e no Suriname, países vizinhos que identificaram importantes ocorrências de hidrocarbonetos em áreas geologicamente relacionadas à região. A perspectiva, entretanto, não significa que o mesmo volume ou resultado econômico esteja assegurado no território brasileiro.
A Petrobras vem ampliando as atividades exploratórias na região e prevê, em seu Plano de Negócios 2026-2030, investimentos de US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial e a perfuração de 15 poços nos próximos cinco anos, segundo as informações divulgadas pela companhia.
Foz do Amazonas ainda está em fase de avaliação
A Bacia da Foz do Amazonas permanece, portanto, em uma etapa de exploração e avaliação. O objetivo dos trabalhos é identificar a existência, extensão e características dos sistemas petrolíferos e determinar se os volumes encontrados podem justificar uma futura produção comercial.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o potencial recuperável total da bacia possa chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente, mas essa é uma estimativa de potencial da bacia, e não o volume descoberto no poço Morpho.
A exploração também permanece cercada por questões ambientais e regulatórias. Em setembro, o Ministério Público Federal voltou a questionar judicialmente a licença ambiental relacionada às atividades no bloco FZA-M-59, citando, entre outros pontos, impactos potenciais sobre comunidades e um incidente ocorrido durante uma operação anterior.
Assim, a nova ocorrência reforça o interesse exploratório na costa do Amapá e fornece novos dados sobre a Bacia da Foz do Amazonas, mas ainda não permite dimensionar uma nova reserva de petróleo nem confirmar sua viabilidade comercial.
Destaque – Novo intervalo de petróleo foi identificado no poço Morpho, na costa do Amapá. Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil





