Alta ligada à guerra no Irã fortalece vendas externas, mas pressiona importações e reduz saldo comercial em março


A escalada da crise no Oriente Médio, com impacto direto sobre o mercado global de petróleo, já começa a produzir reflexos no comércio exterior brasileiro. Dados divulgados em 14 de abril de 2026 pelo Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV, mostram que o petróleo liderou as exportações do país em março de 2026, em meio à alta dos preços internacionais.

O levantamento, que analisa o desempenho do mês de março e do acumulado do primeiro trimestre de 2026, indica que o setor de petróleo foi o principal responsável pelo avanço das vendas externas brasileiras no período — movimento diretamente associado às tensões envolvendo o Irã.

Segundo o estudo, “o mercado de petróleo e derivados é o mais impactado no curto prazo” diante do cenário de instabilidade geopolítica.

Petróleo puxa exportações e ganha peso na balança

O desempenho da indústria extrativa foi o destaque do período. Em março, o volume exportado do setor cresceu 36,5% na comparação anual, com forte influência do petróleo.

Em termos de valor, as exportações de petróleo avançaram 70,4% em relação a março de 2025, consolidando o produto como principal motor das vendas externas brasileiras no mês.

No acumulado do trimestre, o superávit da balança comercial do petróleo bruto também cresceu, passando de US$ 7,9 bilhões para US$ 11 bilhões, reforçando o papel estratégico da commodity no resultado externo.

Crise no Irã eleva preços e aumenta incertezas

A FGV destaca que os efeitos da guerra no Irã ainda tendem a se intensificar nos próximos meses, especialmente sobre os preços de combustíveis e derivados.

A instabilidade internacional tem gerado volatilidade no mercado de energia, elevando os preços e ampliando a imprevisibilidade do comércio global. Esse cenário beneficia exportadores de commodities, como o Brasil, mas também traz riscos.

Um dos principais pontos de atenção está nas importações de derivados, como o diesel, que podem pressionar custos internos e afetar o saldo comercial.

Importações avançam e reduzem superávit mensal

Apesar do bom desempenho das exportações, o aumento das importações limitou o resultado da balança comercial em março.

O saldo foi de US$ 6,4 bilhões, abaixo dos US$ 7,7 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

As importações cresceram 20,1% em valor na comparação anual de março, ritmo bem superior ao das exportações, o que explica a redução do superávit no mês.

No acumulado do ano até março, no entanto, o resultado ainda é positivo: o superávit chegou a US$ 14,2 bilhões, acima dos US$ 9,6 bilhões do primeiro trimestre de 2025.

Commodities sustentam crescimento das exportações

O avanço das exportações brasileiras segue concentrado em commodities. No primeiro trimestre, o volume embarcado desses produtos cresceu 9,5%, reforçando a dependência do país em relação ao setor.

Além do petróleo, a carne bovina também se destacou, com alta de 29% nas exportações.

Já a agropecuária apresentou queda em volume, mas com aumento de preços, enquanto a indústria de transformação registrou crescimento mais moderado.

Mudança no mapa do comércio global

O relatório também aponta uma reconfiguração nas relações comerciais do Brasil, em meio a tensões internacionais e disputas comerciais.

As exportações para os Estados Unidos caíram 18,7% no primeiro trimestre, enquanto a participação do país no total exportado recuou de 12,5% para 9,5%.

Por outro lado, a China ampliou sua fatia, passando de 25,5% para 29%, consolidando-se ainda mais como principal parceiro comercial do Brasil.

Tendência depende da evolução do conflito

A Secretaria de Comércio Exterior projeta um superávit de US$ 72,1 bilhões para 2026, acima do registrado em 2025. No entanto, a FGV alerta que o cenário depende de maior estabilidade global — algo incerto diante da crise no Oriente Médio.

Se a tensão persistir, o Brasil pode continuar se beneficiando da alta do petróleo nas exportações, mas enfrentará pressões maiores sobre custos internos, inflação e importações de combustíveis.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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