Dados do FGV IBRE mostram alívio temporário nos preços de combustíveis e commodities, embora custos de habitação e alimentação continuem subindo.


O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como a “inflação do aluguel”, registrou alta de 0,84% em maio, apontando uma desaceleração expressiva em comparação aos 2,73% registrados no mês de abril. No entanto, o recuo no ritmo mensal não estanca a pressão inflacionária: o índice já acumula uma alta de 3,79% no ano e avança 1,95% no acumulado de 12 meses.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o resultado de maio reflete um momento de maior estabilidade externa, que aliviou a pressão sobre os custos de produção, embora o orçamento das famílias ainda sofra com aumentos em áreas essenciais.

O que segurou a inflação em maio?

A perda de fôlego do índice geral foi determinada, principalmente, pelo comportamento dos preços no atacado e pelo alívio no bolso do consumidor em itens específicos, como os transportes.

Matheus Dias, economista do FGV IBRE, explica os fatores que influenciaram o indicador: “A menor intensidade do IGP-M em maio foi influenciada pela relativa estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, que não provocou choques adicionais relevantes nas cadeias produtivas. Esse movimento ajudou a reduzir a pressão sobre os preços ao produtor. No âmbito dos preços ao consumidor, a alta mais moderada também refletiu a queda dos combustíveis e de alguns alimentos, com destaque para o café em pó, que recuou quase 3% no período.”

Raio-x dos indicadores: Produtor, Consumidor e Construção

O IGP-M é composto por três subíndices que monitoram diferentes etapas da economia. Veja como cada um se comportou na transição de abril para maio:

1. Preços ao Produtor (IPA)
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede o custo dos produtos na porta das fábricas, subiu 0,91% em maio — um recuo drástico frente à forte alta de 3,49% anotada em abril. A principal razão foi o comportamento das matérias-primas brutas (como minerais e produtos agropecuários), cuja taxa desabou de 5,78% para 0,43%.

2. Preços ao Consumidor (IPC)
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que afeta diretamente o varejo, subiu 0,61% em maio (contra 0,94% no mês anterior). O alívio foi puxado pelo grupo Transportes, que caiu para -0,31% devido ao recuo dos combustíveis. Por outro lado, o custo de vida continuou subindo em setores críticos:
• Habitação: Saltou de 0,46% para 0,95%.
• Alimentação: Acelerou de 1,15% para 1,30%.

3. Custo da Construção (INCC)
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acompanhou a tendência de desaceleração e fechou maio em 0,77% (abaixo dos 1,04% de abril). O FGV IBRE identificou uma perda de ritmo generalizada no setor, com quedas nas taxas de materiais e equipamentos (1,08%), serviços (0,50%) e no custo da mão de obra (0,43%).


Destaque – Estabilidade nos preços do petróleo no mercado internacional ajudaram a ‘segurar’ o IGP-M de maio. Imagem: aloart / G.I.


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