Indicador da FGV IBRE avança pelo segundo mês consecutivo impulsionado pela indústria, serviços e acomodação no cenário internacional.


O ambiente de negócios no Brasil registrou uma nova melhora no encerramento do primeiro semestre. O Índice de Confiança Empresarial (ICE) do FGV IBRE subiu 1,1 ponto em junho, alcançando os 92,7 pontos. Este é o maior nível registrado pelo indicador desde maio de 2025, quando havia atingido 94,5 pontos. Com o resultado, a média móvel trimestral interrompeu dois meses de queda e voltou a apontar para uma tendência ascendente.

A recuperação recente do otimismo no setor produtivo está diretamente atrelada a fatores externos e domésticos. De acordo com a análise do instituto, o recuo das tensões e a distensão do conflito no Oriente Médio, somados à acomodação internacional dos preços do petróleo, ajudaram a dissipar as incertezas que vinham travando as projeções das empresas nos meses anteriores.

Indústria lidera as altas, mas construção recua

O avanço da confiança foi disseminado por três dos quatro grandes setores que compõem o índice. O grande destaque do mês foi a Indústria, que registrou uma forte alta de 3,0 pontos, rompendo a barreira técnica ao atingir 100,1 pontos. O setor de Serviços também apresentou desempenho expressivo, avançando 2,1 pontos (para 90,8 pontos), com alta registrada em 69% dos seus segmentos internos. O Comércio completou o grupo positivo com uma leve alta de 0,9 ponto (85,1 pontos).

Em contrapartida, a Construção Civil seguiu na contramão e foi o único setor a amargar perdas no período, recuando 0,9 ponto para atingir 91,7 pontos. É o único segmento econômico que se mantém em uma trajetória declinante na métrica de médias móveis trimestrais.

Situação atual melhora e expectativas voltam a subir

O levantamento do FGV IBRE aponta avanço tanto nas condições do presente quanto no olhar para o futuro. O Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) subiu 1,1 ponto, para 94,4 pontos — impulsionado pela maior satisfação das empresas com os negócios correntes. No mesmo ritmo, o Índice de Expectativas (IE-E) cresceu 1,2 ponto, alcançando 91,1 pontos, interrompendo uma sequência de quedas que vinha se arrastando desde março.

Apesar dos ventos favoráveis na margem, o instituto alerta que a consolidação dessa melhora nos próximos meses ainda enfrenta barreiras estruturais internas. Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV IBRE, destaca que o ritmo da atividade econômica brasileira deve seguir moderado devido a fatores macroeconômicos locais:

“A confiança empresarial avançou pelo segundo mês consecutivo, fechando junho acima do nível de fevereiro passado. Parte desse movimento pode estar associada à distensão do conflito no Oriente Médio e à acomodação dos preços do petróleo, que aliviaram a incerteza externa. Ainda assim, à exceção do setor industrial, os níveis de confiança permanecem historicamente baixos, compatíveis com um ritmo apenas moderado de atividade econômica. Esse cenário continua sendo limitado pelos elevados juros e comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas.”


Destaque – Único segmento econômico a recuar foi a construção civil, segundo os índices da FGV IBRE. Imagem: aloart / G.I.


Leia outras matérias desta editoria

Confiança empresarial sobe em junho e atinge o maior nível desde maio de 2025

Indicador da FGV IBRE avança pelo segundo mês consecutivo impulsionado pela indústria, serviços e acomodação no cenário internacional. O ambiente de negócios no Brasil registrou uma nova melhora no encerramento do primeiro semestre. O Índice de Confiança...

Alta de golpes imobiliários em SP acende alerta e expõe importância de consulta digital de propriedades

Com mais de 50 estelionatos por hora no estado, cartórios reforçam divulgação do site oficial RI Digital para que compradores chequem dados antes de fechar negócio Os golpes envolvendo a compra, venda e locação de imóveis têm se multiplicado na capital...

São Paulo possui 3,3 milhões de lares endividados e atinge maior patamar em quatro anos

Dados da FecomercioSP mostram que 74,2% dos lares paulistanos possuem algum tipo de dívida; inflação e uso do cartão de crédito para despesas diárias pressionam orçamentos. O endividamento dos moradores da capital paulista voltou a registrar patamares...

IGP-M desacelera para 0,84% em maio, mas inflação acumulada segue em alta

Dados do FGV IBRE mostram alívio temporário nos preços de combustíveis e commodities, embora custos de habitação e alimentação continuem subindo. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como a "inflação do aluguel", registrou alta de 0,84% em...

Criar dificuldades para ‘vender’ facilidades: o vaivém da “taxa das blusinhas”

Políticos brincam com a economia visando às eleições de outubro e provocam reações em cascata, impactando os negócios. Por Redação | ASP News Imagine que você é dono de uma pequena confecção ou de uma loja de bairro. Você planeja seu estoque, contrata um...

Dia das Mães deve movimentar R$ 38 bilhões: veja o que o brasileiro vai comprar

Pesquisa CNDL/SPC Brasil revela que 127 milhões de brasileiros pretendem presentear em 2026; vestuário e beleza lideram buscas em cenário de cautela financeira. O Dia das Mães consolidou sua posição como a segunda data mais importante para o varejo...

Petróleo salta com crise no Oriente Médio e impulsiona exportações do Brasil, aponta FGV

Alta ligada à guerra no Irã fortalece vendas externas, mas pressiona importações e reduz saldo comercial em março A escalada da crise no Oriente Médio, com impacto direto sobre o mercado global de petróleo, já começa a produzir reflexos no comércio...