Com investimentos bilionários e ampliação de áreas beneficiadas, programa da prefeitura que moderniza prédios históricos para habitação social vira referência global na ONU.
A estratégia de trazer vida nova ao coração de São Paulo por meio do retrofit ganhou um impulso histórico. A prefeitura da capital mais que dobrou o território elegível a subvenções econômicas para obras de requalificação residencial no centro, expandindo a área de benefício de 1.170 para 2.780 hectares. O programa, que antes ficava restrito aos distritos da Sé, República e parte do Brás, agora alcança também o Bom Retiro, Pari, Bela Vista, Santa Cecília e Liberdade.
Com um investimento estimado em até R$ 1 bilhão, a iniciativa municipal financia até 25% do custo das intervenções em edifícios destinados à Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP). Para garantir o impacto social do projeto, 60% desses recursos são estritamente reservados para o atendimento de famílias com renda de até seis salários mínimos.
Reconhecimento global no Fórum Urbano Mundial
Os resultados práticos dessa política habitacional projetaram São Paulo no cenário internacional. O programa Requalifica Centro foi selecionado pelo ONU-Habitat como uma das melhores práticas globais em habitação e requalificação urbana sustentável durante o 13º Fórum Urbano Mundial, realizado em Baku, no Azerbaijão em meados do mês de maio. A iniciativa paulistana agora integra a plataforma internacional de referências da ONU para o enfrentamento do déficit de moradia em grandes metrópoles.
O reconhecimento fundamenta-se na capacidade do programa de reaproveitar a infraestrutura urbana já existente, reduzir os deslocamentos diários dos trabalhadores, combater o esvaziamento das áreas centrais e diminuir a emissão de carbono ao reformar em vez de construir do zero.
“Esse reconhecimento demonstra que São Paulo consolida uma política habitacional com escala, inovação e impacto social real, aproximando moradia de emprego, transporte e serviços”, destacou a administração municipal durante o evento global.
Ícones da arquitetura paulistana de cara nova
Atualmente, a articulação entre os programas Requalifica Centro e Subvenção Econômica já impulsiona a requalificação de 49 edifícios na região central, resultando na produção de 5.238 novas moradias. Desse total, 14 prédios já concluíram suas reformas e receberam o certificado oficial de requalificação.
Entre os imóveis contemplados estão joias da arquitetura modernista e tradicional assinadas por nomes como Ramos de Azevedo, Rino Levi e Jacques Pilon. O maior símbolo desse movimento é o icônico Edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer, que recebeu um investimento histórico para a modernização de sua infraestrutura interna e restauração de sua fachada. Ao lado dele, prédios emblemáticos como o Martinelli, o Sete de Abril e o Residencial Cambridge provam que o patrimônio histórico de São Paulo virou o principal instrumento para desenhar uma cidade mais compacta, inclusiva e conectada com o futuro.
“O Fórum Urbano Mundial demonstrou que o fortalecimento do multilateralismo é essencial para enfrentar desafios globais como a crise habitacional, as mudanças climáticas e as desigualdades sociais. São Paulo participa desse esforço internacional defendendo cidades mais humanas, sustentáveis e comprometidas com a cooperação internacional”, afirma a secretária municipal de Relações Internacionais, Angela Gandra.
Destaque – Edifício Copan: o futuro do centro de São Paulo se conecta ao passado com o programa retrofit. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil



