Este é o terceiro chamamento público e recebeu um aporte recorde de R$ 200 milhões; quatro desses projetos contemplam unidades de habitação de interesse social.


A Prefeitura de São Paulo aprovou 16 novos projetos na terceira rodada de apoio financeiro para a subvenção econômica e requalificação de edifícios no Centro da cidade. A lista inclui ícones da arquitetura paulistana, como o Edifício Martinelli, o Copan e o Edifício 7 de Abril (antigo prédio da Telesp), que terão parte de suas obras de retrofit financiadas para impulsionar o adensamento populacional e a vocação urbana da região central. A lista dos empreendimentos contemplados foi publicada no Diário Oficial da Cidade nesta quarta-feira (8).

 

Edifício Martinelli. Foto: Edson Lopes Jr/SECOM

 

A seleção aprovada pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) contempla ainda a requalificação de outros marcos da arquitetura paulistana e de condomínios residenciais no Centro. Também estão na lista o Residencial Cambridge, na Consolação, que já funcionou como hotel de luxo na década de 1950, e o Edifício H Lara, na Praça Antônio Prado, construído em 1959 pela família Toledo Lara, herdeira do Conde de Lara, à época o segundo maior proprietário de imóveis no Centro da cidade.

Entre os edifícios, figuram ainda obras de arquitetos renomados, como Ramos de Azevedo (sede do CAU-SP, na Rua Quinze de Novembro), Rino Levi (Edifício Líbero Badaró) e Jacques Pilon (Edifício Anhumas).

De acordo com a secretária Municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França, o resultado deste terceiro chamamento reforça o compromisso da atual gestão com a requalificação do Centro de São Paulo. “Além de impulsionar a moradia popular, conseguimos ampliar a participação de condomínios e incentivar o retrofit de edifícios históricos que são verdadeiros marcos da cidade”, afirma. “O decreto que aprimorou as regras da Subvenção Econômica foi decisivo para diversificar os perfis dos projetos e fortalecer o objetivo da Prefeitura de promover um Centro mais habitado, dinâmico e integrado”, concluiu.

Aporte recorde e destaque para habitação social

Este terceiro chamamento público recebeu um aporte recorde de R$ 200 milhões. A iniciativa, parte da Área de Intervenção Urbana (AIU) do Setor Central, que prevê um investimento total de R$ 1 bilhão para cobrir até 25% dos custos das obras.

Dos 16 projetos credenciados na terceira rodada, quatro contemplam unidades de habitação de interesse social (HIS): um para famílias com renda de até três salários-mínimos (HIS-1) e três para aquelas com renda de até seis salários-mínimos (HIS-2).

No total de R$ 1 bilhão, o programa que visa a transformação urbana destinará 60% para projetos voltados à moradia na faixa (HIS-1) e (HIS-2). Outros 15% serão alocados para projetos de habitação para famílias com renda de até 10 salários-mínimos (HMP), e 15% para iniciativas voltadas a outras faixas de renda. Os 10% restantes serão destinados a projetos não residenciais.

Números consolidados da transformação urbana até setembro deste ano:
:: 40 edifícios em processo de requalificação urbana, sendo 26 projetos aprovados pelo Requalifica Centro e 31 empreendimentos credenciados nos editais da Subvenção Econômica.
:: 17 projetos participam de ambos os programas.
:: Dos projetos do Requalifica, 22 empreendimentos são destinados ao uso residencial (sendo 1 para Habitação de Interesse Social) e 4 empreendimentos para uso comercial (hospedagem e escritórios).
:: 8 prédios já concluíram as obras de retrofit.
:: 2.271 unidades residenciais aprovadas somente no Requalifica Centro.
:: Existem 35 processos em análise no Requalifica Centro.

Antes e depois

Reformado, o residencial Prestes Maia foi entregue pela Prefeitura no dia 7 de abril de 2025. O edíficio, que tem o nome do engenheiro, político e ex-prefeito de São Paulo, Prestes Maia, entrou para a história como primeiro retrofit social. Antes de tudo, deixou de ser a maior ocupação vertical do Brasil.

 

Edifício Prestes Maia, antes da reforma. Foto: Edson Lopes Jr/SECOM

 

Com investimento de R$ 76 milhões, o prédio foi totalmente requalificado para atender famílias que já viviam no local em situação precária. “Uma entrega histórica do edifício Prestes Maia, que há 25 anos teve um grande problema com relação à ocupação. Passados tantos anos, em 2022, dei início à requalificação do retrofit e hoje entregamos as chaves para 287 famílias, mais de 1.000 pessoas que vão morar nesse prédio totalmente requalificado”, disse o prefeito Ricardo Nunes à época.

 

Edifício Prestes Maia, depois da reforma. Foto: Edson Lopes Jr/SECOM

 


Destaque – Vista do alto do Edifício Martinelli. Foto: Edson Lopes Jr/SECOM


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